
Soube através de alguns amigos – e pela leitura de reportagem veiculada no nosso “O Alto Taquari” – que a limpeza do bairro Navegantes está gerando polêmicas. Nada mais normal. Afinal, foi um evento único, cujo impacto é incomensurável e teve influência diferente em cada um de nossos conterrâneos.
Fico feliz em pensar que o tema suscitará debates – certamente acalorados – e que deve ser estabelecido por vários motivos. O principal deles é o fato de tratar-se de uma manifestação de liberdade, no sentido de que todos possam opinar, fundamentando seu ponto de vista a partir de argumentos. A discussão emocional não é aconselhável porque quase sempre descamba para o radicalismo, ofensas e ausência de racionalidade.
Na minha opinião, considero fundamental idealizar um memorial em homenagem aos voluntários. Considero no mínimo humano manter vivo na memória de nossos filhos e netos, exemplos de solidariedade, desprendimento e humanidade que partiram de vários pontos do Rio Grande do Sul, do Brasil e até de outros países.
Que não nos falte sensibilidade,
humildade, equilíbrio e bom senso
A principal característica deste memorial deveria ser a impessoalidade. Nada de citar nomes, cidades ou personagens específicos. Em Porto Alegre foi inaugurado, em 2 de dezembro passado, na orla do rio Guaíba, o Memorial aos Voluntários, em homenagem aos heróis anônimos que atuaram no resgate e suporte durante a enchente de maio de 2024.
Em uma das reportagens veiculadas pela imprensa sobre o assunto, constam detalhes do Monumento aos Voluntários Anônimos: “De mãos dadas, 30 silhuetas de homens e mulheres, moldadas em perfis de cem quilos cada, carregam o peso simbólico do heroísmo e do altruísmo”, diz o texto. Pelos dados oficiais, no Rio Grande do Sul 183 pessoas morreram em decorrência da enchente.
A enchente foi, de longe, o episódio mais impactante desde a fundação de Arroio do Meio. Por várias gerações vamos ouvir relatos referentes à tragédia que, em nosso município, foi potencializada pelas cheias de setembro e novembro de 2023. Mais que lamentar – o que é uma reação humana -, o que vivenciamos deve servir de balizador sobre o que é indispensável fazer para evitar novos desastres.
Sem demagogia, ostentação ou busca de “15 minutos de fama”, é preciso estabelecer um diálogo coletivo para valorizar aqueles que, voluntariamente, nos ajudaram a superar esta histórica desventura. Que neste processo não falte sensibilidade, humildade, equilíbrio e bom senso.

