
No final do século passado as vitórias de Gustavo Kuerten nas quadras despertaram o interesse dos jovens pelo jogo de tênis. Começamos a levar nossos filhos adolescentes para aulas nas quadras de família Dias e Kraether, no bairro Universitário. Aos poucos fomos nos interessando e passamos também a fazer aulas e jogar. Hoje praticamos o esporte nas belas instalações do Tênis Clube Santa Cruz.
O jogo de tênis é um esporte completo pois fortalece os músculos e os ossos, aumenta a agilidade, a coordenação motora e o condicionamento aeróbico. É um esporte para toda a vida pois pessoas idosas como eu, com meus 78 anos, continuam praticando o esporte.
Trata-se de esporte de baixo índice de lesões, pois não há contatos físico. Além disso, o esporte prima pela educação e cavalheirismo e, na dúvida, oferta-se o ponto ao adversário.
Já tivemos grandes tenistas no país. A maior de todas foi Maria Esther Bueno que, em seus vinte anos de carreira, colecionou 589 títulos internacionais, entre os quais dezenove torneios do Grand Slam (sete na categoria simples; onze em duplas femininas; um em duplas mistas).
Também Gustavo Kuerten, o mané da Ilha, carinhosamente chamado de Guga, até maio de 2008, quando encerrou a carreira, somou 358 vitórias e faturou 20 títulos, inclusive três títulos de Roland Garros.
Após um período de bons tenistas em nosso ranking, eis que surge um talento excepcional. João Fonseca, um menino esguio de 19 anos, é um dos nomes mais promissores do tênis mundial e, sem dúvida, um orgulho para o esporte brasileiro. Começou a se destacar ainda muito jovem, mostrando talento, disciplina e uma maturidade impressionante dentro e fora das quadras.
Mostra um jogo agressivo, com golpes potentes e uma leitura de jogo acima da média para sua idade. Sua ascensão foi meteórica. Logo conquistou títulos importantes no circuito juvenil.
No ranking profissional João chamou a atenção por sua técnica refinada e sua postura competitiva. Saque forte, golpes precisos e grande força mental mostram sua competitividade. Fora das quadras mantém uma imagem humilde e próxima dos fãs, algo que reforça ainda mais sua popularidade.
Poucos dias atrás assistimos uma memorável partida entre João Fonseca e o italiano Jannik Sinner, atual número dois do mundo. Em quadra, em Indian Wells, Fonseca mostrou personalidade diante de um dos principais nomes do circuito. O brasileiro chegou a ter três set points no tie-break da primeira parcial, mas viu Sinner reagir e virar o duelo. No segundo set, o jogo voltou a ser definido no tie-break. Sinner deixou em quadra toda sua experiência para confirmar a classificação, derretendo-se em elogios ao brasileiro no torneio, do qual acabou por sagrar-se campeão.
Dez dias depois, em Miami, após superar o húngaro Fabian Marozsan, teve jogo duríssimo com o número um do mundo, o espanhol Carlos Alcaraz, acabando derrotado por 6/4 e 6/4.
Especialistas acreditam que ele tem potencial para figurar entre os melhores do mundo nos próximos anos, seguindo os passos de grandes nomes que marcaram a história do tênis.
Mais do que um talento esportivo, João representa uma nova geração de atletas brasileiros que acreditam no trabalho duro, na dedicação e na superação. Sua trajetória é um convite para que outros Joões sonhem alto e persigam seus objetivos com paixão e disciplina.
Um belo exemplo para nossa juventude.

