
A vida moderna apresenta aspectos incompreensíveis para velhos como eu. Aos 65 anos, tento entender por que um ser humano paga para enriquecer os chamados “influencers” que “ensinam” o que o cliente deve comer, vestir, falar, que perfume, roupa e maquilagem usar e para qual destino viajar, entre outros conselhos remunerados.
A comunicação, graças à onipresença da tecnologia, nunca foi tão fácil e, ao mesmo tempo, tão complexa e rara. Chegamos ao ponto em que encontrar amigos para beber, jogar conversa fora e dar boas risadas “é coisa de velho”. O importante, agora, é passar horas – e às vezes dias – diante de telas, do celular, do computador, do tablet ou do notebook.
É cada vez mais frequente ler, ouvir ou assistir reportagens que tratam da criação de autômatos – ou robôs – que imitam com incrível exatidão todas as características humanas. Rosto, voz, trejeitos, tom de voz e expressões criadas para agradar aos interessados nos transforma em al-vos fáceis de manipulação.
Mais incrível ainda é o fato de que há seres humanos que se apaixonam por estas máquinas. Antes do prezado leitor sofrer uma síncope cardíaca ao ler esta informação, é preciso dizer que talvez não seja assim tão difícil se afeiçoar a estes robôs. Afinal, são engenhocas criadas para agradar os potenciais clientes. Ou seja, falam aquilo que queremos ouvir, não discordam jamais de nossas opiniões e buscam, através da bajulação, seduzir as pessoas.
A enganação moderna visa dinheiro e até amor.
E a tecnologia, neste caso, é nossa grande inimiga
A solidão, o estresse, a carência afetiva e a dificuldade que muitas pessoas têm de fazer contato social potencializam a tentação de nutrir “paixões” por estas máquinas infernais criadas por cientistas diabólicos. Ter alguém para conversar ao chegar em casa no final do dia para trocar ideias, relatar o cotidiano, desabafar e fazer confidências – sem cobranças ou fofocar nossa intimidade com outras pessoas – é, de fato, uma tentação difícil de resistir.
É muito mais fácil digitar do que falar. É cômodo ignorar mensagens de pessoas desagradáveis e chatas e fingir que “fiquei sem bateria do celular”, “estava no silencioso” ou “vi teu whats, mas a correria foi tão grande que esqueci de dar retorno”.
O olho no olho, além de dificultar a missão de mentir, muitas vezes evidencia o que realmente sentimos, sem máscaras, subterfúgios. Isso ocorre principalmente quando o nosso interlocutor é um velho conhecido, reconhece nossas fraquezas e tem mais experiência de vida que nós. Não tem escapatória: é paredão sem rodeios ou mentiras.
Em pleno século 21, os golpes se multiplicam das mais variadas maneiras. E não é preciso ser “velho”, tecnologicamente desinformado ou alienado que raramente lê o noticiário. A enganação moderna visa dinheiro e até amor. Acredite!

