
Não tenho muito tempo para ir à cozinha. Minha vida muito corrida, especialmente no que tange horários, me faz ficar à mercê da rotina de restaurantes. Isso já foi de muito tempo. E não é reclamação. Adoro comer a comida dos outros. Aliado a isso tudo, confesso mais duas questões. Nunca tive necessidade de aprender, pois me era dado tudo pronto e nunca tive interesse por cozinhar. Até hoje, confesso minha total falta de habilidade para isso. Mas, confesso, também, às vezes me esforço e vejo como um momento meu, uma terapia.
Pois bem, essa semana tive um tempinho e lá me vou. Meu ritual começa com o ligar uma música. Preparo tudo. Preciso ter tempo. O prato foi Strogonoff que gosto também muito. Aprendi da minha prima Jaqueline. Super simples de fazer e com toques especiais e acreditem, de coração, fica muito gostoso. A carne é cortada (se bem que agora nos mercados até cortada já vem) e tempero com muitas ervas. A seguir, já vou preparando o arroz que é super fácil de fazer. A carne frita e a Pérola (minha cachorra) sempre do lado para me incentivar. A cebola e o tomate dão um gosto a mais na carne que vai dando um cheirinho em toda casa. Não faltam truques para essa carne, mas que não vou contar aqui, pois fica o convite para um dia, eu oferecer essa minha iguaria a vocês.
Preparo a mesa com muito cuidado. Uma toalha de mesa escolhida com carinho, enfeites que hoje se acham de montão; cada vez mais lindos. Copo, talheres, prato. Uma velinha no meio. A batata palha dá um toque especial.
Tenho dificuldades com quantidade e sal. Acreditem, preciso me policiar muito com isso. Experimento várias vezes. Que vai sobrar isso já sei. Mas daí no outro dia cai muito bem. Nada de desperdício.
Ah, sabe o que mais faço junto? Passo um café para aromatizar a casa. Já confessei por aqui também que café me remete a ideia de lar. O café vem bem como sobremesa.
Tudo andando conforme o esperado. Fico feliz. Tudo isso para mim é um ritual. Com carinho, com tempo, com vontade. Um tempo precioso para mim. Dá para fazer vários planos.
Fico pensando nas donas de casa. Esse é um piloto automático. Nada de tempo. Relógio contado. Quanta criatividade para todos os dias. E não dá tempo para pensar em quantidade. Ela precisa ser bem calculada. E não passa a ser ritual e sim cotidiano. E, depois a louça. Nossa! Minhas palmas e muitas palmas a todas as donas de casa, ou homens que precisam cozinhar.
Esse texto simples nos faz pensar sobre coisas cotidianas, mas que são tão importantes para nossa vida. De um lado alguém que tira um tempo para cozinhar e ter aquele momento e do outro lado, os que cozinham para nós e que precisamos dar valor, pois não é fácil e exige muito.

