
_ “A egolatria começa de forma sutil: na necessidade de reconhecimento, no desejo de ser sempre elogiado, na dificuldade de aceitar críticas. Aos poucos, ela cresce e se transforma em uma lente distorcida, onde tudo gira em torno da própria imagem, das próprias conquistas e da própria importância”_
Assim começa a crônica de Jaime Folle, publicada no “O Alto Taquari”, dia 27 último. O tema é pra lá de atual, cada dia estimulado pela hipervalorização das redes sociais que pregam o culto ao ego como centro da rotina.
Frequentemente me questionam porque não tenho Instagram, já que voltei ao Facebook, apenas para abrir vídeos e conteúdos enviados por amigos.
– Considero minha vida muita simplória, sem rompantes que mereçam ser publicizados para o mundo. Prefiro “ficar na minha”, curtindo meus momentos com pessoas próximas, amigas e queridas – respondo.
Apesar de tantas facilidades, o ser
humano parece cada dia mais infeliz
Considero irônico ver celebridades em geral revoltadas com o que chamam de “invasão de privacidade”. Sim, irônico, porque do despertar ao adormecer todos os seus passos estão registrados lá, através de vídeos, fotos e memes. Tudo consta em suas redes sociais, expondo, inclusive, filhos e outros familiares.
Ainda no texto publicado aqui, o especialista afirma que “o problema é que a egolatria afasta pessoas, enfraquece relacionamentos e impede o crescimento verdadeiro. Quem vive apenas para si deixa de ouvir, de aprender e de enxergar o valor do outro” . É a mais pura verdade.
As infindáveis horas vividas “diante das telas” – do celular ou computador – resultam em uma epidemia de depressão, isolamento e solidão. Jovens que preferem os chats ao bate-papo de boteco manifestam enorme dificuldade para conviver com colegas de trabalho. Preferem o home office, ou seja, trabalhar em casa, isolado. Sem falar no pânico diante do fracasso, rejeição e do não-elogio permanente.
“Cuidar do ego é um trabalho diário. É saber celebrar vitória sem menosprezar ninguém, é aprender com os erros sem se defender o tempo todo, é valorizar mais o “nós” do que o “eu” , acrescenta Jaime Folle. Este exercício cotidiano deveria nortear o ser humano do século 21, rodeado de comodidades e acesso irrestrito a todo tipo de informação.
Apesar das facilidades, o ser humano parece cada dia mais infeliz.

