
Liberdade de expressão é um dos direitos fundamentais da pessoa. Significa a possibilidade de deixar o pensamento fluir sem censura e de manifestar as ideias formuladas a partir do próprio pensamento.
Queiramos ou não, o pensamento livre existe. Existe mesmo quando é proibido. O pensamento é livre como o vento. Ninguém pode algemar o vento. O que se pode, isso sim, é fazer de conta que não há vento – se me entendem.
Quase todo o mundo teria um caso para lembrar. Um caso de constrangimento sofrido, em algum momento da vida, fosse em casa ou no trabalho, pela necessidade de calar. Pode até lembrar do mal-estar físico que isso produziu: gastrite, dor de cabeça, estresse…
A liberdade de expressão é fator indispensável para quem lida com a palavra, com a literatura – como é o caso de jornalistas, escritores, oradores, etc. Escrever debaixo da vigilância de alguém é algo muito violento.
O direito à opinião vem sendo abalado não apenas por obra de censuras várias, mas pelo próprio ambiente em que nos movimentamos. Acontece que a polarização de pensamento grassa entre nós. Ficou moderno pertencer a um campo – à esquerda ou à direita – e torcer o nariz para tudo que destoa da nossa ideia. Aquilo que poderia ser reconhecido simplesmente como diferente ganhou a pecha de errado.
Esta situação nos coloca desafios. Em primeiro lugar, o desafio de admitir que se pense e que se fale de forma diferente da nossa. Segundo, o de respeitar a manifestação do pensamento divergente do nosso, sem que isso produza rompimentos. Terceiro, encarar a tarefa de construir em meio às diferenças.
Tem de haver jeito de proteger nossos valores sem necessidade de destruir os valores dos outros. Tem de haver jeito de aceitar as discordâncias, sem nos sentirmos ameaçados por elas. Não é necessário haver consenso em todas as matérias. Às vezes, o melhor caminho é rumar para uma convivência lúcida, sem fusão de pensamento.
Mas cabe ficarmos atentos, para que a ideologia distinta não nos impeça de trabalhar juntos por causas comuns, como o sucesso de uma empreitada em favor da comunidade ou do país.
Estes não são desafios insignificantes nem fáceis de superar. Por isso mesmo é bom admitir que existe a demanda por uma reflexão honesta e desarmada. Uma reflexão da qual se possa sair, ao menos, com uma pulga atrás da orelha…
Faz bem lembrar que existe o certo, o errado e todo o resto – como Cazuza acreditava.

