
Solidão, depressão, isolamento. Nunca se ouviu tantos especialistas nestes assuntos como atualmente. Também se multiplicam artigos, vídeos e todo tipo de material de divulgação que trata destes que, muitas vezes, são chamados de “males do século”.
As nuances humanas são realmente curiosas. Nunca, em tempo algum, tivemos tantas alternativas de comunicação. As redes sociais permitem entrar familiares distantes, amigos perdidos ao longo do tempo e até resgatar a árvore genealógica, ao buscar, inclusive, a origem de nosso sobrenome.
As enchentes de 2023 e 2024 foram marcadas por diversos fenômenos. Mas talvez o que mais chamou a atenção foi a mobilização espontânea, sem qualquer interferência oficial, para ajudar quem foi atingido pelas águas.
O engajamento espontâneo brotou da solidariedade despertada pela sucessão de episódios de flagelo, perdas e destruição que tomou conta do Rio Grande do Sul. Foi uma arregimentação com iniciativas individuais, de condomínios, clubes de serviço e todo tipo de agrupamento humano.
Passados dois anos da maior tragédia ambiental da história dos gaúchos é preciso perguntar: o que ficou em termos de ajuda, apoio e preocupação com aqueles que perderam tudo, inclusive entes queridos, patrimônio de uma vida toda e viu sonhos arrastados pelas águas?
Podemos ficar em paz com a nossa
consciência a partir de pequenos gestos
Ajudar permanentemente deveria ser “tema de casa” de todos nós. E não falo de auxiliar com uma contribuição financeira mensal. Falo em engajamento efetivo, participação pessoal em projetos sociais e auxílio a partir de nossas expertises profissionais.
Este envolvimento poderia combater sentimentos como a solidão, a depressão e o isolamento. Confesso que há algum tempo persigo este objetivo, mas por algum motivo não consigo levar adiante este intento.
Independentemente do tamanho da cidade é possível encontrar entidades e pessoas que necessitam de ajuda. Aqui na nossa Arroio do Meio temos a AMAM e a AMAI, entre outras, que com certeza ficariam bastante agradecidas com a nossa contribuição.
Muitas vezes flertamos com grandes objetivos, mas é possível ficar em paz com a consciência a partir de pequenos gestos que estão ao nosso alcance, muito perto de onde moramos.
Os chamados “males do século”, quem sabe, têm tratamento eficaz através da solidariedade, do amor ao próximo e da consciência de que fazer o bem nos faz muito bem.

