
Tão ruim quanto à falta de informação é o excesso.
Todos os dias lembro do meu saudoso pai, o velho Gilberto “Giba” Jasper, que nos deixou há mais de 30 anos. Era uma época em que a comunicação engatinhava diante do que vemos hoje.
O gigantesco volume de conteúdo é responsável por uma overdose de informação cuja veracidade e utilidade são questionadas diariamente. A tragédia provocada pelas enchentes de 2023 e 2024 constituem tormento sem fim para nossa gente do Vale do Taquari.
Não bastassem os prejuízos, com a perda de vidas, patrimônios e sonhos, a catástrofe permanece indelével na memória de todos nós. Dois anos após a maior calamidade climática do Rio Grande do Sul, surge uma nova ameaça no horizonte dos 36 municípios da região: o fenômeno El Niño.
É um fantasma que já causa apreensão, medo e insegurança junto às autoridades, comunicadores e população. A cada dia presenciamos relatos que vão de uma potencial nova desgraça à suspeita de tratar-se de um “fenômeno normal”, sem comparação aos danos de dois anos atrás.
Vamos rezar para não haver um novo desastre.
E que haja mais responsabilidade no noticiário
Infelizmente neste país de dimensões continentais, a caça em busca da fama e do dinheiro fácil transformam pessoas em monstros, capazes de falsear notícias para se tornarem celebridades da internet. Não há termo para definir estes seres “humanos” que brincam com a desgraça alheia.
Desde às enchentes as autoridades, em todos os níveis, correm contra o tempo para implantar sistemas para garantir a segurança da população, mitigar consequências e modernizar procedimentos com o emprego de avanços tecnológicos. Bilhões já foram investidos, mas há muito por fazer.
A experiência como repórter e assessor de imprensa que trabalhou nos três poderes – executivo, legislativo e judiciário – mostram que a burocracia é inimiga, sim da agilidade necessária. Mas também é preciso reconhecer que o esforço de alguns agentes públicos na busca de notoriedade e – pior ainda – de benefícios diante da catástrofe obriga ao controle rigoroso.
No emaranhado de informações que invadem o cotidiano é cada vez mais difícil discernir boato de informação, boas intenções de interesses particulares e de solidariedade com negócios escusos. É preciso critério para não alarmar ainda mais a população e, simultaneamente, manter a mobilização em caso de nova ameaça meteorológica.
Vamos rezar para que não haja repetição do desastre. E que tenhamos mais comprometimento na divulgação das notícias sobre o tema.

