– A maioria das pessoas prefere o inverno ou prefere o verão?
Não sei a resposta nem conheço pesquisa a respeito. Mas sou capaz de apostar que a maioria é fã do verão.
Seja como for, existem, sim, existem os que detestam calor e só sobrevivem às temperaturas mais altas, porque mantem a esperança nas ondas de frio. Sobrevivem por saber que o calor vai passar, vai passar, que mais dia menos dia chega o outono, depois chega o inverno. O inverno com a bênção das mantas e dos casacões.
Estes que detestam verão têm argumentos robustos: não gostam do sol queimando na pele e puxando o suor. Ou não fecham com as tradicionais diversões do momento, tipo ir à praia. O problema nem seria bem ir à praia, acontece que não tem vocação para entrar na disputa por um palmo de areia. Muito menos, para se encolher debaixo de um guarda-solzinho, enquanto o sol ruge e o vento assobia.
Há ainda outro tipo de aflição ligada ao verão. Trata-se do desafio de enfrentar um maiô. Como muitos de nós se encontram longe (muito longe) da forma, o maiô nos confronta com a dolorosa verdade. E não há como separar verão e maiô. Ah! Se ao menos, se ao menos estivesse na moda tomar banho de mar e piscina vestindo um manto comprido…
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Pessoalmente não sou muito chegada ao calor. Mas gosto do clima de descontração que esta época traz. Todo mundo parece mais otimista. Nada é sério ou urgente demais. A própria vida parece mais fácil.
O grilo que tenho com o verão é de outro calibre. O problema são as melancias. Isto mesmo, as melancias. Adoro comer melancia, mas melancia não se consome como laranja. Liquidar uma melancia demanda o seu tempo. Será que na média cada família compra uma melancia por semana? Quase duvido. Bom, é aí que vem a questão. Os supermercados expõem melancias, as fruteiras, também e à beira da estrada há montanhas delas à venda. Não fosse isso o bastante, a toda hora se veem caminhões com cargas completas. Ainda por cima, nas zonas de produção, é possível enxergar os campos, com melancias já graúdas cobrindo as colinas até onde a vista pode alcançar.
Quem comerá tanta melancia, meu senhor? Qual o destino deste exagero de frutas? Que eu saiba, não existem refrigerantes, geléias nem melacia enlatada. Ou se arranja colocação para o produto in natura ou… Ou o quê? Seria o caso de criar algum movimento em favor do consumo? O que se pode fazer em favor das melancias?

