Depois de cinco anos sem férias prolongadas inicio um período de 15 dias de folga a partir de segunda-feira. Sou fanático por jornais e ouvinte assíduo de rádio durante todo o dia. E isso inclui sábados, domingos, feriados, Natal e Ano Novo. Por isso meus filhos duvidam que eu consiga ficar distante desta rotina por um período tão longo. Aposta feita, ficarei três dias em Porto Alegre para colocar alguns assuntos em dia. Mas na quinta-feira parto para a Guarda do Embaú, pequeno balneário localizado às margens da temível BR-101 no litoral de Santa Catarina.
É uma praia pequena, sem os agitos tradicionais de Capão da Canoa, Tramandaí, Jurerê, Torres ou Xangri-Lá. Ficaremos – eu, minha mulher e os dois filhos – numa pousada a 30 metros do mar. Carregar cadeiras dobráveis e um isopor lotado de latinhas de cerveja é tudo que me permitirei em termos de esforço físico na minha agenda praiana. Além, é claro, de assar muitos churrascos e cevar um chimarrão a cada manhã e no final da tarde.
Ao longo dos últimos anos tenho me permitido apenas rápidas fugidas com pacotes de viagem com duração de uma semana para lugares paradisíacos. Mas a correria e a lotação dos aeroportos impedem de voltar descansado.
Herdei do meu pai a dificuldade de usufruir de férias prolongadas
Esta relutância em gozar férias prolongadas lembra a rotina do meu falecido pai que passou a vida fugindo das férias. Pouco antes de morrer, aos 53 anos, adquiriu uma casa na praia, mas 11 meses antes da aposentadoria ele foi vítima de um infarto fulminante.
Depois do episódio jurei aproveitar a vida com intensidade, ser menos rigoroso na minha vida profissional e usufruir as folgas. Confesso, porém, que tem sido um esforço com pouco êxito. Um dos motivos, talvez, seja o fato de gostar demais da minha profissão. Reluto em abandonar meus hábitos, situação agravada pelo tipo de emprego que tenho. Detentor de cargo de confiança – o chamado CC – preciso matar um leão por dia, sem me dar ao luxo de abandonar o front.
Tenho a esperança que esta “fugida” de pouco mais de uma semana seja o começo de uma nova era. Não se trata de promessa de final de ano, mas de consciência de que o corpo – já não tão jovem – necessita de mais repouso e menos estresse.
Portanto, prezados leitores, um forte abraço; e até a segunda sexta-feira de fevereiro com as baterias recarregadas!

