Na semana passada comemorou-se o Dia Internacional da Mulher. A data rendeu festa e muita matéria nos jornais, rádio e TV. Não sei se faltou dizer alguma coisa. Provavelmente, não.
Em todo o caso, aqui vai minha colher no assunto. Para as mulheres – e para os homens igualmente – há muito o que festejar. Houve um grande avanço ultimamente. Acho bom que se fale nisso. Comemorar ajuda a consolidar o caminho andado.
Na minha opinião, a mudança mais importante dos últimos tempos aconteceu no terreno do direito de escolher.
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Antigamente havia um trilho mais ou menos único e se esperava que todo o pessoal andasse nele. Seguir o “trilho” queria dizer, na prática, que a gente mandava pouco na própria vida. O roteiro da vida vinha num pacote e quem quisesse ser aceito socialmente se obrigava a caber no tal pacote.
Assim, por exemplo, era importante casar e ser feliz para sempre. Outra coisa, quem casava de papel passado e tinha filhos, e mais de um, de preferência. A homossexualidade, por outro lado, não existia. Esta hipótese nem entrava no pacote.
Também era importante que as mulheres seguissem as profissões femininas e que deixassem os ofícios masculinos exclusivamente para eles. Era óbvio que as mulheres se vestissem como as mulheres deviam se vestir. Nada de imitar os trajes masculinos. Em público, elas não tinham opinião. As mulheres concordavam com quem sabia das coisas: os homens.
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Quem quisesse ser diferente que tratasse de se esconder. Cabia dissimular. Era preferível fingir do que remar contra a corrente. Aliás, fingimento até podia passar como virtude. Talvez ganhasse o nome de abnegação. Talvez fosse chamado de renúncia ou sacrifício.
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A liberdade para ir cada um atrás do seu nariz – se me entendem – vem avançando gradualmente. Pode ainda parecer pouco. Mas faz uma diferença colossal.

