Assuntos ligados a perda de peso são onipresentes. É só folhear as revistas, os jornais ou conferir a programação da TV. A preocupação está muito espalhada. Todo mundo (ou quase) se sente acima do peso e gostaria de perder uns quilinhos.
Não admira que seja assim. Primeiro, por que a oferta de gostosuras cresceu enormemente. Segundo, por que o padrão de elegância decresceu enormemente – estou falando no peso que se considera ideal. Ou seja, estamos no meio de dois movimentos contrários. Como saber para que lado nadar?
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Uma vez era mais fácil. A gente ia na venda comprar arroz, feijão, batata, açúcar, etc. para preparar os alimentos em casa. Se quisesse comer bolo, tinha que botar a mão na massa e produzir o bolo. E olha que, além de tudo, era preciso cozinhar no fogão a lenha, fazer fogo, cuidar do fogo, etc. Hoje, tem bolo de tudo que é tipo pronto para levar. E bolo mais fofo e mais lindo do que a gente consegue fazer na nossa cozinha. O bolo, claro, é só um exemplo. Pode-se encontrar de tudo e mais um pouco no super, na feira, na padaria, na fruteira.
Do outro lado, antigamente a pressão para ser magro era muito menor. Os gordinhos tinham uma fama legal. Viviam em paz consigo e com o mundo ao redor.
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Nesses dias assisti a uma entrevista sobre peso e saúde. Em vez de divulgar uma dessas dietas mágicas, como em geral acontece, dava outro conselho. Mandava cozinhar a própria comida. Escolher os ingredientes com todo o critério e preparar o alimento. Sim, fazer marmita e levar junto para o trabalho. Sim, levantar mais cedo para mexer nas panelas.
Dizia que é preciso escolher o que vai para mesa. Decidir como preparar a comida. Se a gente não sabe o que come, é impossível cuidar da saúde e do peso.
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Cozinhar a própria comida… Parece sensato. Mas a gente já não tem compromissos demais?
Por via das dúvidas, desliguei a TV e fui dormir.

