Conversávamos entre amigos e alguém falou em topless, querendo saber a opinião geral. Se a gente era a favor ou contra as mulheres usarem apenas a parte de baixo do biquíni, isso em lugares públicos. Antes que qualquer um falasse, a mais jovem de todos naquele grupo se manifestou. Ela era frontalmente contra. Mostrar o corpo é coisa para fazer somente em privado e para quem se quer – defendeu.
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Fiquei curiosa e fui buscar informação sobre o assunto. A pesquisa me mostrou que no Brasil – como em outros países – existe uma estrutura bem organizada em favor, não apenas do topless, mas da nudez completa. Seja no jardim de casa, seja em clubes ou em praias, a nudez parece contar com uma legião de adeptos. E, além de tudo, está bem organizada. Existe até a Federação Brasileira de Naturismo, que tem entre seus princípios a defesa da vida ao ar livre, o consumo de alimentos naturais, o pacifismo, a espiritualidade, a negação do fumo e das drogas e, claro, a prática do nudismo.
Praias de nudismo estão presentes na maioria dos estados brasileiros. Santa Catarina e o Rio de Janeiro são os campeões. Mas há também praias no Espírito Santo, como a de Barra Seca; na Bahia, a praia de Massarandupió e, a mais famosa de todas, localizada na Paraíba, a praia de Tambaba. Em geral, nesses locais a nudez é encorajada, mas não obrigatória. Agora, não pense você que ali reina a gandaia. Pelo contrário, há uma lista de regras a ser obedecidas, a principal delas diz respeito a não agir de forma a causar constrangimento. Provavelmente isto significa não olhar demais, portar-se com naturalidade.
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A França tem sido conhecida como vanguarda no campo do topless. Brigitte Bardot celebrizou a praia de Saint-Tropez nos anos 60 com sua beleza quase desnuda. Mostrar os seios era prática inocente e aceita como sinal de afirmação da feminilidade.
As coisas parecem estar mudando, entretanto. Hoje em dia, o topless é mais comum entre as alemãs do que entre as francesas. Mesmo nas badaladas praias do sul da França, os trajes mais comportados predominam. Ao que parece, o temor das doenças de pele somado ao poder da globalização, que disseminou o recato americano pelo resto do mundo, são responsáveis pela mudança. Ou então, é mesmo como as francesas afirmam: o que aconteceu foi simplesmente que o topless caiu de moda.
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É pouco provável que a minha amiga já soubesse dessa nova tendência na moda europeia. De qualquer forma mostrou que está por dentro da mentalidade atual, ao defender o pudor na escolha do traje de banho.
Seja como for, uma questão ainda fica. Será que poderíamos chamar de pudorosos esses biquínis que desfilam pelas praias brasileiras no verão?

