– Você tem ideia de quantas línguas são faladas no mundo?
Segundo estimativas, são mais de sete mil.
Mandarim é a língua que tem o maior número de falantes. Mesmo que a gente não conheça nenhuma pessoa que fale o mandarim, dá para compreender a razão. Acontece que a China, onde o mandarim é falado, tem um número de habitantes que corresponde a 21% de toda a população mundial.
A segunda língua mais falada no mundo é o espanhol, segundo algumas fontes. Segundo outras, o espanhol seria a terceira, só perdendo para o inglês em número de usuários.
O português é a quinta língua mais falada no mundo. Fala-se português também em Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e em um punhadinho de outros lugares. Sendo países pequenos, resulta que o Brasil sozinho responde por quase 75% de todos os falantes nativos da língua portuguesa.
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Havendo um número tão grande de línguas no mundo e sendo crescente a globalização, é natural que uma língua seja escolhida para facilitar os contatos. No mundo contemporâneo esta língua é o inglês. Cerca de 375 milhões de pessoas falam inglês como sua primeira língua e mais de 500 milhões aprenderam inglês na escola. Fora isto, sabe-se que um quarto da população do mundo pelo menos arranha alguma coisa em inglês.
As razões para falar inglês vão ficando cada vez mais fortes. Ao que consta, 80% da informação armazenada encontra-se disponível em inglês. 75% dos livros científicos são escritos em inglês. Dá para dizer sem exagero que o inglês é a língua dos negócios e a língua da ciência.
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Alguns países da América Latina estão “se puxando” para fazer avançar o número de falantes de inglês como segunda língua. Eles pensam que esta é uma forma de acelerar a capacidade de competir internacionalmente. É o caso do Peru e da Colômbia, onde estive nos últimos meses e onde pude acompanhar notícias sobre programas para favorecer o bilinguismo.
Na Colômbia, por exemplo, a implantação de escolas básicas bilíngues se tornou um programa do governo em algumas províncias. Quanto antes os alunos começarem a aprender, melhor – dizem as autoridades. Dizem também que hoje apenas 6% dos estudantes universitários do país tem um nível adequado de inglês. Quanto aos professores de inglês, um teste revelou que apenas 25% deles sabem quanto deveriam saber.
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No Brasil, ainda não acabamos com o analfabetismo, ainda patinamos no domínio da nossa própria língua, ainda enfrentamos falta de professores e de prédios adequados. Aqui, ao que parece, o furo é mais em cima.

