Uma temporadazinha na cidade de São Paulo veio a calhar. Em primeiro lugar, pude me safar da temporada de chuvas no sul. A troca foi bem oportuna: garantiu férias para os casacos e o guarda-chuva, além, claro, de folga para a cabeça.
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Se é verdade que São Paulo equivale a uma locomotiva com força suficiente para puxar os demais estados do Brasil – como virou tradição dizer – então uma segunda razão justifica estar em São Paulo: é bem possível que as novidades paulistanas antecipem ondas que vão se espalhar por todo o lado logo ali adiante.
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No ramo imobiliário há inovações interessantes. Vê só. Há dois anos o mercado imobiliário paulistano anunciava a chegada de microapartamentos com 20 metros quadrados. 20 metros! Parecia impossível diminuir ainda mais uma área tão minúscula. Só parecia. Até o final deste mês a incorporadora Vitacon lançará um prédio com unidades de 14 metros quadrados. O preço? Os apartamentos mais baratos custarão 89.000 reais. Isto significa que um metro quadrado estará valendo mais do que seis mil reais.
Interessante observar que o prédio dispõe de uma área para ser compartilhada pelos proprietários com funções mais amplas do que as que costumamos encontrar. Para uso coletivo, há uma lavanderia, uma sala de ginástica, um escritório e quartos para hóspedes. Assim, se alguém receber uma visita não precisa mandar para um hotel. Pode reservar um dos quartos disponíveis, pagando pela ocupação uma taxa que deve cobrir as despesas com limpeza e manutenção do cômodo.
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A tendência por construir apartamentos minúsculos promete desdobramentos. O administrador da incorporadora responsável pelas unidades de 14 metros quadrados declarou: “Estamos quase no limite, mas é possível fazer menor ainda.”
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Não admira diante disso que as publicações especializadas em decoração se esmerem em oferecer ideias para aproveitar cada centímetro da casa. As sugestões cobrem vários setores. Falam de posicionar móveis para dividir espaços, falam do recurso às portas de correr e falam também de truques para dar a ilusão de espaço maior. É o caso de pintar prateleiras com a mesma cor das paredes, de utilizar o efeito de espelhos e de luminárias com luzes de cor diferentes.
Outra ideia é apelar para os pufes “multiuso”. Os pufes que se transformam conforme as necessidades. Podem ter portinholas e servir para guardar objetos; podem ter bolsos laterais onde cabem revistas; podem ter rodinhas para serem acomodados em posições diferentes ou podem conter camadas que se desdobram ganhando a forma de um colchão onde é possível dormir.
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É isto, “não há o que não haja”, como diz o Túlio Milman.

