Já estamos vivendo no território do novo ano. Aproveitar bem o tempo é a melhor forma de merecê-lo.
Se eu puder dar uma sugestão para 2016, recomendo ler livros interessantes, encorajadores. Ler algo bom ajuda a engrandecer o dia, alimenta a imaginação e o pensamento. Por isto mesmo nunca será demais incentivar a qualificação das bibliotecas públicas. Se me coubesse um desejo de ano novo, pediria em favor das bibliotecas públicas. Na nossa região, aliás, elas poderiam se encontrar em estágio bem mais avançado quanto ao número de livros e de público cativo. Os países sérios tratam a sério este assunto e aí reside uma das razões de terem a grandeza que tem.
Para avaliar um caso, fica a sugestão de entrar no site da biblioteca municipal da cidade de Boston, nos Estados Unidos. Ela foi criada no ano de 1848. Tem plano estratégico, tem orçamento próprio, tem um diretor cheio de metas e de responsabilidades e conta com um conselho composto por voluntários. Principalmente, esforça-se para ser mais do que um local que estoca material de leitura. Identifica-se como um “centro de conhecimento” e faz de tudo para merecer o nome.
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Muito bem. Enquanto isso, vou aqui oferecendo uma sugestão de leitura. Trata-se do livrinho intitulado “Gratidão”, de Oliver Sacks (formato pequeno, 58 páginas).
Oliver Sacks nasceu em Londres em 1933 e morreu recentemente, no dia 30 de agosto último. Foi médico neurologista, professor e escritor de livros de grande sucesso. Escreveu basicamente sobre sua experiência com pacientes, conseguindo ao mesmo tempo trazer luzes para o funcionamento do cérebro normal, em termos de percepção, memória e individualidade.
Em março de 2015 publicou as memórias que reuniu em livro intitulado “Sempre em movimento”. Ali explora a complexidade da vida adulta, incluindo sua homossexualidade, a paixão por motocicletas, por natação e a relação com o irmão doente, tudo isto misturado com histórias de seus pacientes.
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Mas voltemos a “Gratidão”. O livrinho reúne quatro ensaios escritos nos dois últimos anos de vida e publicado alguns dias antes da morte do autor. Aqui vai uma amostra grátis:
“Tive a sorte de viver mais de oitenta anos.
“Isso não quer dizer que não quero mais nada com a vida. Muito pelo contrário, sinto-me intensamente vivo, e desejo e espero, no tempo que ainda me resta, aprofundar minhas amizades, dizer adeus àqueles a quem amo, escrever mais, viajar, se tiver forças, atingir novos patamares de compreensão e descortino.
“Meu sentimento predominante é a gratidão. Amei e fui amado, recebi muito e dei algo em troca, li, viajei, pensei, escrevi.
“Acima de tudo, fui um ser senciente – um animal que pensa – neste belo planeta, e só isto já é um enorme privilégio e uma aventura.”

