A vida moderna nos deixa meio atrapalhados. Não sabemos bem pra onde correr. De um lado, viramos quase reféns da tecnologia; de outro, procuramos como nunca aquilo que tem menos intervenção de máquinas, aquilo que está mais próximo da natureza.
Vê só! Quem ainda faz contas de cabeça? Quem pode dispensar o celular? Como ficariam os diagnósticos médicos sem imagens computadorizadas?
Ao mesmo tempo e, frequentemente, as mesmas pessoas que se amarram em maquinarias dão tudo para encontrar alimentos produzidos sem aditivos, aqueles cultivados do mesmo jeito que eram na idade da pedra. Aumentou a estima por artigos feitos à mão, sejam os biscoitos caseiros ou os casacos de tricô. Enquanto isso, cresce o público de admiradores do chamado vestuário inteligente – roupas último grito em tecnologia – capazes de monitorar os sinais vitais dos usuários ou regular a temperatura do corpo, entre outras façanhas.
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É bem no meio deste quadro que ganha destaque a meditação. Por meditação se entende o ritual praticado pelos budistas há milênios, que consiste em sentar em silêncio e concentrar-se na própria respiração ou em alguma imagem, mantendo a mente livre de qualquer atividade.
Pesquisas de ponta mostram que meditar por uns 20 minutos diários faz toda a diferença. Adultos que não são budistas e meditam mais por hobby do que por razões filosóficas foram submetidos a testes sistemáticos. Os resultados são de deixar de boca aberta. Através de imagens de ressonância magnética, os pesquisadores observaram a parte do cérebro envolvida com memória e atenção e constataram que aumentou a espessura dos tecidos dessas regiões, estabelecendo considerável diferença entre aqueles que meditam e aqueles que não meditam. A mudança constatada no cérebro sugere – segundo os pesquisadores – que a prática habitual de meditação pode ajudar as pessoas a manter sua memória e a capacidade de atenção e evitar as perdas ligadas ao envelhecimento, além de aumentar a sensação de calma e de tranquilidade.
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Ou seja, ao que parece caminhamos para um novo equilíbrio. O mundo contemporâneo reconhece os benefícios da sabedoria que vem de tempos imemoriais. Nem só de eletrônicos se faz um cidadão do século XXI.
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Quem sabe se ainda não veremos retornar o prestígio de certos costumes meio recalcados agora. Tipo o lenço amarrado no pescoço contra dor de garganta; o escalda-pés para a cura de resfriados; a aplicação de banha em machucaduras e o caldo de galinha. Sim, o caldo de galinha, esse que era tido como santo remédio – até no tratamento das tristezas de amor.

