Há pouco reli a história de Robinson Crusoé – um livro antigo, publicado pela primeira vez em 1719. Isto mesmo, há quase três séculos. Foi escrito por Daniel Defoe, autor inglês muito influente na sua época. Fiz a primeira leitura da obra no tempo de guria. Na ocasião, fiquei tri impressionada. A curiosidade de agora era saber se continuaria gostando do livro, depois de a vida ter passado no meio de uma leitura e de outra.
Para a empreitada, não precisei de investimento vultoso. Comprei uma edição de bolso, pouco mais do que dez pilas. E lá me fui pelas 320 páginas de Robinson Crusoé.
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Robinson era um marinheiro inglês que gostava de aventuras. Tinha se tornado fazendeiro no nordeste do Brasil e, embora bem sucedido nos negócios, sentia falta de movimento e de novidade. Por isso aceita o convite para acompanhar uma viagem à África. Cerca de um mês depois da partida, uma terrível tempestade põe a pique o navio. O naufrágio acontece na costa da América, próximo à foz do rio Orenoco. Robinson se salva, sendo lançado à praia, mas se salva sozinho. Morrem todos os companheiros de viagem. Nessa ilha, Robinson Crusoé ficará isolado por 28 anos.
O mais interessante da história não é o salvamento de Robinson. O naufrágio acaba sendo simplesmente o início. A partir daí será preciso criar as condições para sobreviver. Este é o real desafio. Sem contar com nada além da própria inventividade, Robinson não tem outra alternativa do que se mexer. Precisa dominar a natureza selvagem da ilha. Com as poucas armas e ferramentas que pode salvar, vai inventando coisas. Constroi casa, domestica animais, planta grãos, acha um jeito de fazer pão, de costurar roupas, de conservar alimentos, etc.
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Pensei que levaria certo tempo para vencer a leitura, mas qual. Foi um vapt-vupt. Quem é que teria coração para deixar Robinson sozinho naquela ilha perdida? A gente quer ficar junto, torce para as invenções funcionarem, acompanha as caminhadas de exploração pela mata, e fica com medo de que Robinson seja atacado pelos canibais que ele enxerga de longe.
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Costuma-se pensar que as aventuras de Robinson Crusoé são coisa para criança. Não são. Adultos podem ter grande prazer na leitura. Afinal, nada melhor do que adultos para entender que aquela história representa a história da vida. Cada pessoa tem de cavar um espaço e criar o caminho. O ensinamento melhor é que tudo fica mais fácil para quem, como Robinson, a cada passo relembra que “nosso descontentamento em relação ao que não temos brota da falta de gratidão por tudo aquilo que temos”.

