Neste tempo em que os conflitos e as guerras persistem em várias partes do globo, vale a pena voltar à leitura de um livro bem antigo. Falo de Nada de novo no front, escrito por Erich Maria Remarque (1898-1970).
A obra foi lançada em 1929, na Alemanha, com o título Im Westen nichts Neuen. Naquele mesmo ano, vendeu mais de dois milhões de cópias. Já no ano seguinte, em 1930, o livro foi filmado nos Estados Unidos e ganhou o Oscar de melhor filme. Passado todo esse tempo, a leitura continua mais que oportuna. Parece que a humanidade tem dificuldade para aprender as lições de uma guerra.
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Nada de novo no front é daqueles livros que, uma vez começados, não se consegue largar. Quem conta a história é um quase garoto chamado Paul Bäumer. Na flor dos seus 18 anos, Paul é empurrado, junto com um grupo de colegas, a se alistar como soldado na Primeira Guerra Mundial. Até ali Paul vivera entre a casa e a escola, num vilarejo do interior da Alemanha. A família é modesta, mas a vida flui sem sobressaltos, o mundo parece bem organizado. O que vem em seguida faz um contraste brutal. E é isso que Paul vai contando numa espécie de diário. O resultado é que junto com Paul, nós vamos conhecendo o dia a dia da guerra, desde o período de treinamento até o cotidiano de batalhas, a fome, o frio, o medo, o horror, a decepção que vai ficando cada vez maior. Pouco a pouco Paul se dá conta de que o que chamam de inimigo são rapazes iguais a ele. Os inimigos também gostariam de voltar vivos para casa, eles também têm uma namorada e uma mãe para quem escrevem cartas. Por que, então, estão lutando nesta guerra?
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A narração do sofrimento nas trincheiras faz com que a gente tenha que suspender a leitura de vez em quando. O relato é de uma brutalidade quase insuportável. Mas, nas horas em que Paul e seus amigos desfrutam de uma folga e papeiam estirados no chão, fica difícil conter o riso. Aparece cada ideia!
Numa dessas, os soldadinhos desenvolvem a receita para acabar com todas as guerras. Pensam que a solução seria mudar os combatentes e a forma de decidir a peleia. O jeito – segundo eles – seria trocar as personagens no campo de batalha. Assim: os governantes e os generais que decidem entrar em guerra passariam eles a ser os guerreiros. Não mandariam os soldados. Os graúdos seriam os combatentes. Reunidos num estádio, estes lutariam até a morte. No fim, a guerra estaria ganha para o país que tivesse o último homem ainda vivo. Ou seja, nada de envolver milhões de pessoas, os chefões que se matassem entre eles.
Paul Bäumer e os amigos acham que, se os chefes tivessem de ir para o campo de batalha, em vez de ficar discutindo estratégias de combate a quilômetros de distância, se os graúdos tivessem de arriscar a própria pele, pensariam melhor antes de iniciar uma guerra…

