A Turquia tem cerca de 75 milhões de habitantes. É um país com situação econômica boa: um crescimento anual que beira os 5%. As estradas, por exemplo, são coisa para fazer qualquer brasileiro babar de inveja.
É limitado o conhecimento que temos da Turquia e seu povo. Não vai muito além do relato sobre o envolvimento em guerras, a partir da versão de outros povos. Não admira que a imagem seja pouco favorável.
Mary Lee Settle, no livro “Reflexões sobre a Turquia”, identifica nos turcos “a perigosa sensibilidade de um povo essencialmente caloroso e honesto que, quando sente que sua amizade foi oferecida e traída, pode explodir em violência”. Em situação normal, contudo, a tolerância, o senso da dignidade pessoal e da igualdade são valores marcantes.
À propósito, conta-se que Atatürk, o grande líder turco do começo do século XX, estava oferecendo um banquete ao rei da Inglaterra, quando o garçom respingou sopa no hóspede ilustre. Ao ver isso Atatürk comentou com o rei: “Fui capaz de fazer quase tudo com os turcos, mas nunca consegui ensinar-lhes a ser servos”.
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Na região de Istambul e ao sul, nas praias à beira do Mediterrâneo, há costumes muito parecidos com os nossos. Shakira faz um tremendo sucesso; “Despacito” toca em todas as rádios; os cosméticos da Avon estão presentes e a maioria das pessoas veste jeans. A língua é que soa estranha, ao menos até a gente prestar mais atenção e notar que reconhece palavras. Além de tudo a pronúncia acompanha exatamente a escrita. Por exemplo, taxi é taksi.
Bastante diferentes são os gostos à mesa. Iogurte natural e saladas não faltam em nenhuma refeição, café da manhã, inclusive. Isto significa que, por exemplo, haverá ao menos pepino, tomate, folhas verdes e azeitonas na primeira refeição do dia – além de outros itens parecidos com os nossos, como pães, manteiga, geleias. Em vez de café, os turcos preferem tomar chá e tomam a toda hora, com as refeições e fora delas, com açúcar e sem açúcar. A única coisa que não pode faltar é limão.
Aliás, limão é pau pra toda obra. Fui recebida para uma visitinha na casa de turcos amigos. A primeira coisa que serviram foi suco de limão. Na saída, como gesto de cortesia, ofereceram perfume de limão para passar nas mãos e no rosto e, assim, sair para a rua melhor do que se entrou na casa…
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A maioria dos turcos são muçulmanos. Entre os costumes religiosos destaca-se o mês do Ramazan – ou Ramadã, como dizemos no Brasil. Neste ano aconteceu entre 25 de maio e 25 de junho – as datas variam de acordo com a lua. Durante o Ramazan os muçulmanos observam jejum total – nem água é possível beber – desde a madrugada até o pôr do sol, depois das oito da noite.
Ninguém fiscaliza o cumprimento do Ramazan e a adesão pode se dar a partir dos 14 anos.
Os turcos com quem tenho conversado encaram bem o desafio do Ramazan.
– “É apenas por um mês! – dizem. Faz bem para a saúde. Além de tudo é uma ótima oportunidade para testar quanto conseguimos mandar em nós mesmos.”

