Cerca de seis mil línguas encontram-se ativas no mundo hoje em dia.
Aquelas que têm maior número de usuários são faladas nos países mais populosos. Não surpreende, por isso, que o chinês mandarim apareça em primeiro lugar na lista das dez mais. Depois vem o espanhol, em seguida o inglês, o hindi, o árabe, o bengali e, em sétimo lugar, o português – graças à numerosa população brasileira.
Dentre as línguas, o inglês tem a peculiaridade de ser a principal segunda língua no mundo. Ou seja, aquela que as pessoas escolhem para aprender, quando querem conhecer outra, além da língua materna. O árabe, por sua vez, se caracteriza por ser uma língua sagrada. É em árabe que se recita o Corão – o livro santo dos muçulmanos.
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Por razões diversas, prevê-se que metade das seis mil línguas existentes hoje estarão desaparecidas no prazo de cem anos.
Uma língua é muito mais do que um conjunto de palavras. Quando uma desaparece, perde-se com ela uma maneira singular de entender o mundo. Isto sabemos todos os que falamos mais de uma língua. Há coisas que simplesmente são impossíveis de traduzir e há significados que só existem em uma dada língua.
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Quando os colonizadores brancos chegaram à América do Norte, perto de 300 línguas eram faladas ali. De todas elas, sobraram apenas três. Ou seja, somente três do conjunto de 300 línguas continuam sendo faladas regularmente. O desaparecimento das línguas foi acontecendo juntamente com o desaparecimento de povos e ou com a integração deles à cultura dominante. Sabemos como isto acontece. Os jovens querem se sentir modernos. Com isto vão se distanciando dos costumes antigos, aí incluído o cultivo da língua dos avós.
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Sim, há palavras e significados que são próprios de uma dada língua e não existem nas outras.
Por exemplo: ilunga (Congo) é palavra que designa a pessoa que está disposta a perdoar qualquer abuso na primeira vez e que é também capaz de tolerar numa segunda vez, mas que não deixa passar na terceira vez. Outro exemplo: taarradhin, em árabe, significa uma boa solução, aquela que deixa os dois lados satisfeitos. Essa significação não inclui a ideia de encerrar uma divergência com a vantagem sendo dada para um lado.
Enfim, chego ao ponto em que queria chegar. Acontece que esta coluna resulta da surpresa de saber que na língua Ojibwe – umas das três que resistiram à colonização na América do Norte – na língua Ojibwe, “homem velho” é o equivalente a grande ser e “mulher velha” significa aquela que mantém as coisas todas juntas, aquela que reúne.
Ou seja, fiquei pensando em como é que nós expressamos o sentido de homem velho e de mulher velha.
Você aí tem coragem de dizer isso em voz alta?

