Se você gosta de ler e ainda não ouviu este nome – Karl Ove Knausgard – prepare-se para ouvir. E muito.
Karl Ove Knausgard é um escritor norueguês de 48 anos que está bombando no mundo dos livros. Por enquanto, apenas no mundo dos livros, mas é de prever que em breve vão aparecer adaptações para o teatro e para o cinema – se é que já não existem e eu é que não sei.
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Karl Ove foi agraciado com vários prêmios literários em seu país, onde é sucesso faz tempo. Mas, só a partir de 2012, quando os livros começaram a ser publicados nos Estados Unidos, é que foi ficando conhecido em outros países.
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No Brasil, até o momento, estão disponíveis os quatro primeiros volumes de autobiografia intitulada “Minha luta”. No total a autobiografia se estende por seis volumes, cada um com um título. Os volumes da autobiografia já publicados aqui são: “A morte do pai”; “A ilha da infância”; “Um outro amor”; “Uma temporada no escuro”.
Cada um desses volumes é um tijolo de cerca de 500 páginas. Ainda assim, os leitores ficam chateados ao chegar à última página. Nem podem esperar para pegar o volume seguinte.
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Qual o segredo do sucesso de Karl Ove Knausgard?
Difícil dizer.
Não há receitas para o sucesso. Se fosse assim, aliás, fazer sucesso seria uma barbada.
Mas uma coisa qualquer leitor percebe de imediato: Karl Ove escreve de maneira envolvente. O leitor é fisgado como um peixe no anzol e nem se debate. Não quer escapar.
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A autobiografia de Knausgard utiliza o recurso da franqueza total. O narrador é sincero a ponto de identificar as pessoas que passam por sua vida pelos nomes verdadeiros. Não oculta fraquezas nem vícios de ninguém, a começar por si mesmo. Não disfarça sentimentos nem faz de conta que as coisas foram melhores do que foram.
Outro dado: vai contando a própria vida sem ficar amarrado a uma ordem cronológica: uma recordação puxa outra e puxa outra. Permite-se saltar livremente entre diferentes épocas. Além disso, não dá toda a importância para os acontecimentos. Fala principalmente das emoções que acompanham os acontecimentos. Apresenta a percepção que os fatos despertam. Recupera a sensação vivida no momento em que as coisas aconteceram.
O resultado é um estilo singular. A história narrada tem posição secundária. É quase um pretexto. A principal serventia é facilitar o exame da pobre condição humana.
Ou seja, eis uma dica para quem procura leitura boa.

