“A arte de se fazer feliz” é o título da obra de duas porto-alegrenses – médica e psicóloga: Christian Gonzo e Denise Aerts. Elas têm uma clínica onde se dedicam a ajudar pessoas “a construir sua felicidade possível” – que é como definem o trabalho que fazem.
O livro é composto de pequenos textos. Fácil de ler, dá muito combustível para pensar. Vou selecionar alguns trechos de amostra. Se você quiser saber mais, pode entrar no site das autoras: www.bororo25.com.br
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A saúde emocional depende da autonomia: capacidade de nos responsabilizarmos por nossas escolhas e acolhermos os resultados por elas produzidos.
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Quando nos responsabilizamos por nosso próprio cuidado, não atribuímos aos outros responsabilidades que não lhes são devidas e, muito menos, buscamos culpados pelo que nos acontece.
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As pessoas que acreditam no destino inventam que, se tivessem sorte, tudo seria diferente, pois idealizam que são competentes, habilidosas, inteligentes e até sábias. O que não têm é sorte! Vão culpando um, culpando outro, culpando a vida e preservando a fantasia de sua perfeição. Mantêm a crença em sua grandiosidade, pois, como nada depende deles, mas do destino, não se responsabilizam pelo resultado de suas ações ou, ainda pior, sequer as realizam para não correr o risco de se decepcionarem.
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Algumas vezes, criamos uma ocupação com algo que ainda não aconteceu. Antecipamos a ocorrência de um evento e o vivemos como se fosse presente e não, apenas, como uma possibilidade futura.
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É fundamental compreender e assumir que somos os responsáveis por nossa própria vida, acolhendo que não há garantias para o viver e que, por mais que nos empenhemos, os resultados não dependem, exclusivamente, dos nossos próprios atos. Essa consciência acerca do incontrolável possibilita que se reconheça e que se assuma a responsabilidade pela porção reduzida sobre a qual temos responsabilidade.
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Nossa vida é uma aventura com prazo desconhecido e, exatamente por isso, merece ser vivida em sua plenitude. O acolhimento de que viver é andar em uma corda-bamba, sem rede protetora, responsabiliza-nos pelo nosso próprio cuidado.
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Não somos o resultado dos fatos; somos o que fazemos conosco a partir da significação que damos ao que nos acontece.
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Agir curativamente é desfrutar. Desfrutar do que acontece enquanto a ação está em curso. É amar o percurso, usufruir o caminho, sem esperar resultados futuros. É a felicidade possível em ato.

