Estou recém chegando de viagem aos Estados Unidos. Por um lado, foi um alívio ficar distante das encrencas que angustiam a política nacional. Por outro, era só abrir um jornal ou ligar a TV para ver que as encrencas deles estão fervendo. Com um agravante. Têm potencial para envolver o mundo inteiro. Cabe reconhecer que, lá como aqui, os meios de comunicação não dão refresco. É uma vigilância que não tira férias.
Ver os erros dos outros é mais fácil do que aplaudir acertos, todos nós sabemos disso. E, quando o governo se atrapalha muito, como é o caso agora, fica mesmo uma barbada.
As críticas são intermináveis. A reprovação é tão forte e tão intensa que a gente se pergunta se o Presidente Trump conseguirá levar a termo o seu mandato, dentro do estilo personalista que vem mantendo.
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Um pouco diferente do que acontece no Brasil, a gozação se espalha. Acho que nós nos contentamos basicamente com fazer piadas. Nos Estados Unidos é diferente. Seja resultado da liberdade de expressão, que é coisa sagrada para eles, seja por conta de uma indústria que lucra com a produção de objetos, o certo é que quem quer entrar na brincadeira tem uma infinidade de tralhas para colecionar.
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Em lojinhas de souvenirs é possível encontrar de tudo. Por exemplo, rolos de papel higiênico ilustrados com o rosto do Presidente. Maquininhas para ir fazendo a contagem regressiva dos dias que restam para o mandato terminar. Camisetas estampadas com as frases mais hilárias. Uma delas, com a pergunta: Trump presidente? e abaixo, as alternativas de resposta:
A) No
B) A
C) B
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Mais ainda. Há vários itens direcionados para uma campanha em favor de “libertar Melania” (a primeira-dama do país).
Também sacolas, camisetas, canecas, adesivos, etc. com fotos do presidente Obama, sugerindo que ele está fazendo falta. Mais, bottoms com a foto da ex-primeira-dama e a frase: “2020 Michele Presidente”.
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Sem analisar a qualidade do governo – nem lá nem cá – vem à mente um ditado bem gaudério: “ninguém dá chute em cachorro morto”.
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O poder tem uma atração incomparável. Não falta quem venda a alma para alcançá-lo e, uma vez lá, a casca fica tão grossa que permite resistir a todos os petardos. Para isto, o cordão dos puxa-sacos colabora muito, claro. Por outro lado, quem está fora do poder fica mirando o alvo com todas as armas que consegue imaginar.
Se o poder interessasse menos, ou seja, se fosse um cachorro morto, é bem capaz que minguaria essa farra de debates e deboches.

