Vou contar uma história muito conhecida na Rússia. Ao que parece, os fatos teriam acontecido por lá.
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Era uma vez um lavrador que vivia pobremente na magra terrinha que herdara dos pais. Trabalhava sem preguiça, fosse no rigor do verão, fosse no inverno gelado. Nem a chuva ou o vento o seguravam em casa. Saía muito cedo e voltava no escuro.
Por mais que se esforçasse, no entanto, o resultado era escasso. As coisas não engrenavam. O que produzia mal cobria as despesas. Às vezes, o lavrador se enchia de revolta. No campo, sozinho, xingava em voz alta: o que mais poderia fazer? O que mais?
Um dia, cansado, o homem encostou-se na cerca para limpar o suor. Esticou as pernas compridas. Foi aí que sentiu um cocuruto na altura do pé. Curvou-se para ver o que era.
Era uma lâmpada mágica.
Ao afastar a terra ao redor, esfregou com a mão. Esfregou. Uau! Um gênio apareceu na sua frente.
Não era possível. Um gênio bem ali na sua frente! O lavrador nem conseguia dizer nada. O gênio sorriu. Estava ali perto, quase ao alcance da mão e anunciou. O lavrador podia fazer um pedido. O que ele quisesse, mas um pedido somente. O que fosse pedir, seria atendido. Pensasse bem: só podia pedir uma coisa.
Minha nossa!
O lavrador olhava de lado. Tonto. Branco como um papel, perto de ter um desmaio.
O que quisesse? O que quisesse?
Sim, uma coisa. Pensasse com calma. Sem pressa.
O lavrador pensou e pensou. Sonhos antigos. Desejos frustrados. Privações incontáveis. Um mundo de coisas relampejou na cabeça.
Por fim, resolveu.
Gaguejava para falar, mas falou. Sabe – disse o lavrador – o meu vizinho do lado de cima. O vizinho tem uma vaca e eu não tenho nenhuma. Ela dá muito leite. Eu queria…
O gênio esperava.
O pedido – disse o lavrador – o pedido… quero que a vaca caia morta agora mesmo.
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Esta é uma história de inveja.
Não é por acaso que algumas histórias caem no gosto do povo e atravessam o tempo. Podem parecer brincadeira, mas tem potencial para abrir nossos olhos. Explicam os mais diversos contextos.
Disse Balzac: “A inveja é o pecado mais burro de todos. É o único que não traz nenhum tipo de proveito para o pecador”.

