Longevidade é um tema importante. Levanta a mão aí quem não quer viver muito.
No Brasil, a expectativa de vida cresce sem parar. No espaço de um século o panorama mudou completamente. Se, por exemplo, em 1940, esperava-se viver em torno de 45 anos, hoje, a média passa dos 75.
É certo que muita coisa aconteceu para que a realidade se transformasse tanto. Muitas doenças foram controladas, a alimentação melhorou e a medicina preventiva tem auxiliado grandemente.
***
No campo de estudos da longevidade se destacam os achados da psicóloga canadense Susan Pinker, que realizou conferência em Porto Alegre nesta semana, falando do seu livro mais recente: “The village effect” (ainda não traduzido para o português). Há constatações surpreendentes.
Em quase todo o mundo as mulheres vivem mais do que os homens. Uma das exceções é a ilha italiana da Sardenha no mar Mediterrâneo. Na ilha da Sardenha, não só a longevidade é extraordinária – há dez vezes mais pessoas centenárias do que nos Estados Unidos, por exemplo – mas os homens não morrem antes do que as mulheres. Eles são igualmente longevos.
Esta constatação levou a dra. Pinker à ilha da Sardenha para um estudo de campo. A surpresa fica por conta da impossibilidade de atribuir a longevidade a fatores como exercício físico, dieta pobre em gorduras ou coisas assim. O que parece fazer toda a diferença é o estilo de vida. Ali as pessoas vivem muito próximas umas das outras, têm vínculos fortes, não se sentem isoladas. As pessoas percebem que pertencem à comunidade. Aliás, cuidar de um idoso parece ser antes um privilégio do que uma responsabilidade penosa.
***
Estudos de Susan Pinker demonstram que a quantidade e a qualidade dos contatos sociais são fator determinantes para a longevidade. Ou seja, os benefícios dos vínculos sociais podem ser ainda maiores do que se pensava.
O fato chama mais a atenção porque o individualismo aumenta no mundo e a presença física vai sendo substituída pelos contatos virtuais. Isto vale para as atividades escolares, para as compras, para as amizades, até para os namoros. Hoje em dia passa-se mais tempo conectado a redes sociais do que dormindo.
Relações humanas não se desenvolvem por si. Elas precisam ser cultivadas. Dão trabalho. Susan Pinker relata o caso de uma centenária italiana da ilha da Sardenha que todos os domingos se reúne com familiares para preparar ravióli que é embalado em pacotinhos para dar presente a parentes, amigos, vizinhos.
***
É possível restabelecer um clima de “aldeia” nos agitados tempos atuais? A resposta fica por conta de cada um. É a mesma que cada um dá para outras perguntas como: é possível se alimentar de forma saudável? É possível manter uma rotina de exercícios? É possível controlar o estresse nos agitados tempos atuais?

