“Com amor, Van Gogh” é o título de um filme que vem colhendo muitos aplausos. No Brasil, está em cartaz desde o dia 16 de novembro de 2017. Até Fernando Henrique Cardoso mencionou o filme durante a entrevista que deu ao programa Manhattan Connection, na noite do dia 31 de dezembro último.
O holandês Vincent Van Gogh (1853-1890) – tema do filme – é um dos pintores mais conhecidos do mundo. Nasceu na Holanda em família de classe média alta, mas até os 28 anos não conseguiu se estabelecer em nenhuma das profissões que tentou. Fracassou em todos os projetos. Foi aí que começou a pintar e pintou furiosamente até o dia de sua morte, cerca de dez anos depois. Chegava a pintar uma tela por dia. A produção era interrompida por surtos de depressão ou de alguma doença mental até hoje não bem identificada.
A história é triste, pois a fama só veio depois da morte. Van Gogh pintou cerca de mil quadros e vendeu apenas um. Um só. Viveu pobremente, hospedado em pensões baratas e, nem isso teria sido possível, não fosse a ajuda do irmão Theo com quem tinha uma profunda afinidade.
O estilo de pintura de Van Gogh é conhecido pelos traços salientes, pelas cores vibrantes, pela retratação de cenas rurais e de pessoas do povo. Os girassóis são uma marca registrada, também os campos da região da Provence, na França onde viveu parte dos seus últimos anos.
Hoje o museu Van Gogh na Holanda recebe perto de dois milhões de visitantes por ano. Reúne um grande número de obras do pintor e de seus contemporâneos. Para quem vai a Amsterdã, não passar pelo museu Van Gogh é quase como ir a Roma e não ver o Papa.
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“Com amor, Van Gogh” – o filme – é um trabalho biográfico e só isto já bastaria para atrair a atenção. Mas o que mais desperta a curiosidade é uma particularidade técnica. O filme é de animação. Tendo por base cenas e rostos pintados por Van Gogh, pintaram-se com óleo sobre tela todas as imagens do filme. Cerca de cem pintores se encarregaram da tarefa, trabalhando durante seis anos. O resultado é primoroso.
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Para além da chance de ver trabalhos de Van Gogh, o filme estimula a pensar sobre os incompreendidos, como foi o caso do pintor. Os gênios que se antecipam ao seu tempo, veem o que ninguém consegue ainda ver ou entender e por isso não são apreciados devidamente e, às vezes, até, sofrem humilhações.
O filme estimula a pensar não apenas nos gênios, mas em todas as pessoas que não tiveram ou não tem o merecido reconhecimento e, por conta disso, morrem amarguradas, sem saber que sua grandeza seria identificada logo depois. Ah! Se pudessem ter esperado um pouco mais!

