Fui assistir ao filme britânico “Hora mais escura”, que em português leva o título de “O destino de uma nação”. É um baita filme. Não admira que o ator principal – Gary Oldman – esteja indicado para ganhar o Oscar de melhor ator neste ano. Aliás, é impressionante como Gary Oldman se modifica fisicamente para encarnar a figura do primeiro-ministro Winston Churchill, que está no centro da história. A gente quase duvida que seja possível uma tal transformação. E não é apenas fisicamente. Gary Oldman tem um desempenho magistral na imitação tanto da eloquência de Churchill como das manias quase insuportáveis que ficaram célebres, como, por exemplo, a de trabalhar na cama durante a manhã e andar semidespido ao sair dos seus longos banhos.
O filme é histórico. Focaliza os fatos que levam à escolha de Winston Churchill para primeiro-ministro no ano de 1940, quando a Inglaterra se encontrava em sua “hora mais escura”. As tropas inglesas que combatiam na França estavam sitiadas pelo exército alemão. Bélgica, Holanda, já haviam caído e a França estava por um fio. A Inglaterra não tinha acreditado na ameaça que Hitler representava e neste momento se direciona para fazer um acordo de paz com Hitler, pensando em evitar o prolongamento da guerra.
Churchill assume o comando do país, mais por representar uma possibilidade de coalizão dos partidos do que propriamente por ser considerado a melhor opção. Mas, já na posse diz a que veio. No primeiro discurso marca posição. Opõe-se frontalmente ao acordo com a Alemanha. Posiciona-se em favor da guerra contra Hitler e pela resistência até a vitória final. Render-se, nunca, lutar, até o último homem. Para isto, só tem para pedir “sangue, suor e lágrimas”.
Churchill acredita que a hora de fazer acordo não é esta em que a Inglaterra se vê com a cabeça na boca do leão. Afirma que um país que se rende nunca mais se recupera. Se há chance de se reerguer, esta fica com quem cai lutando. Um país que desiste, nunca mais se levanta – é o discurso do primeiro-ministro.
O povo pensa como Churchill e, se não pensa, é convencido pela capacidade que o líder tem de mobilizar a população para o sacrifício pessoal em favor do triunfo da pátria.
Fiquei pensando na situação delicada em que o Brasil se encontra.
Desânimo!
Desânimo nem tanto pelos acontecimentos políticos ou pelas tristes figuras deste cenário.
Desânimo em meio a esta hora tão escura, justamente pela dúvida. Será que vamos permanecer para sempre enredados em nossas dificuldades? Será que conseguimos nos unir como nação para construir, em conjunto, um novo amanhecer?

