Nesta semana entrou em cartaz no Brasil um filme alemão bem recente – de 2017. Seu título é “LOU” e conta a história de Louise Andreas-Salomé (1861 – 1937), uma aristocrata russa de ascendência alemã, que se tornou importante escritora e psicanalista.
Muito jovem ainda, Lou se rebela contra as restrições impostas às mulheres. Não lhe era permitido, por exemplo, subir em árvores como faziam seus irmãos (ela é a única mulher, caçula, em uma família de seis filhos) e, se tentasse, seria atrapalhada pelo vestido forrado de saias e rendas. Tem uma infância e adolescência difícil, como bem se pode imaginar. Insiste em estudar filosofia, coisa que parece bem estranha nesse tempo. O pai – um general de exército russo a serviço do czar – é quem melhor a entende, mas morre quando Lou é ainda muito jovem.
Do pai fica um conselho que vai orientar a vida inteira de Lou. “Torna-te quem tu és” – ele lhe disse.
Lou ousa afrontar costumes. Ingressa na Universidade, estuda filosofia, escreve livros, torna-se conhecida e convive com as cabeças mais privilegiadas de sua época. Casa-se por conveniência, quando enfim percebe que era quase impossível ser solteira, livre e independente como queria ser.
Teve relacionamentos com o filósofo Nietzsche e com o poeta Rainer Maria Rilke e participou do grupo de estudos de Freud, tornando-se sua colaboradora e praticando psicanálise até o final da vida.
***
O filme talvez idealize um pouco a vida de Lou e não tem muito sucesso em reproduzir a efervescência cultural da época em que os fatos se passam, coisa que se poderia esperar de um filme histórico. Mas o espectador nem pensa nisso, fica vidrado na narrativa. Acontece que o filme é envolvente como poucos. Quando termina, o público permanece na sala, olhando passar os créditos na tela, como se não quisesse ir embora. Lamenta que a sessão não tenha o dobro da duração…
***
Não é de admirar que uma mulher como Lou se apaixonasse pelo poeta Rainer Maria Rilke (1875-1926) – um homem inteligente e sensível.
Duas frases de Rilke no livro “Cartas a um jovem poeta”, só para dar uma mostrinha do quilate de que é feita sua obra:
“Há de se reconhecer, aos poucos, que aquilo a que chamamos destino sai de dentro dos homens em vez de entrar neles.”
***
“Por que deseja excluir de sua vida toda e qualquer inquietação, dor e melancolia? Não sabe como tais circunstâncias trabalham no seu aperfeiçoamento?”
***
Enfim, eis aí um programa de férias, para se juntar ao samba, suor e cerveja.

