A frase “a vida começa aos quarenta” é pronunciada com sotaques variados nos quatro cantos do mundo. Mas pouca gente sabe a origem desta sentença. A frase se tornou popular por obra de um psicólogo norte-americano chamado Walter Pitkin. No ano de 1932, ele publicou um livro de autoajuda exatamente com este título: “Life begins at forty”.
Na época, a frase causou sensação. Dizer que a vida começava aos quarenta parecia um belo exagero. A expectativa de vida vinha passando por uma revolução, isso era certo, mas não a ponto de permitir tal demasia. Para efeito de comparação, na Idade Média ninguém esperava viver mais do que 25 anos. Agora, no início da terceira década do século XX, a expectativa de vida nos Estados Unidos andava perto dos 60 anos. Nos países mais atrasados a expectativa era menor. No Brasil, ficava nos 42 anos. De toda maneira, o que Walter Pitkin queria dizer era que o último terço da vida podia ser o melhor de todos. Quando os compromissos familiares tinham diminuído, quando a maior parte das conquistas profissionais já estavam asseguradas, as pessoas ficavam mais livres para viver a seu gosto – esta era a tese.
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O interessante é que o livro de Pitkin tinha uma ideia complementar a esta de que “a vida começa aos quarenta”. Ele indicava outro ponto relevante. Dizia com todas as letras que “os tolos morrem cedo”. Só que esta segunda ideia não ganhou nem de longe a mesma fama da outra. Continuamos dizendo que a vida começa aos quarenta, embora, diante do aumento da expectativa de vida, seria mais adequado dizer que a vida começa aos sessenta ou setenta. E deixamos de ver aquilo que se torna cada vez mais evidente, isto é, que os tolos morrem cedo.
É assim: hoje sabemos tanto sobre cuidados de saúde, temos tantas oportunidades de acesso à medicina preventiva, há tantos equipamentos de segurança à disposição que passou a ter cabimento chamar de tolo quem não se cuida como poderia se cuidar.
O resultado é que para os tolos, a vida não começa nem aos quarenta, os sessenta ou setenta. Os tolos morrem antes.
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Mas voltemos à primeira ideia, a de que a vida começa aos quarenta. Com essa idade, a liberdade para viver ao próprio gosto é mais viável. Já dá para autorizar-se a inventar caminhos. Parece simples, mas só parece… Bate de frente com “o que os outros vão dizer”; com “a tradição na comunidade”, com “o jeito como eu fui criado”, etc.
O caso é que a liberdade está antes dentro, do que fora de nós. E, sem liberdade, a vida pode terminar antes mesmo de ter começado…

