Quando inicia uma partida de futebol da Copa do Mundo, é linda a imagem dos jogadores perfilados. Toca o hino dos países de ambos os times e os rapazes cantam, em geral com emoção, naqueles minutos que antecedem o embate.
Fora o caso do nosso hino, a gente nem imagina o que eles estão cantando.
Fui conferir. Percorri as letras dos hinos de alguns países que participam da Copa. Considerando as palavras que os jogadores pronunciam, é espantoso verificar que ninguém entra armado no campo.
Sucede que, em geral, os hinos nacionais têm uma letra que instiga a luta para vencer inimigos, falam em independência, em armas e em morte. Dá para entender que seja assim. A maioria das nações se constituiu a partir da briga contra algum povo dominador e o hino celebra essa independência. Alguns exemplos:
O hino de Portugal encoraja:
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar.
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar.
Contra os canhões
Marchar! Marchar!
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Os mexicanos, por sua vez, cantam:
Y retumble em su centro la tierra
Al sonoro rugir del cañon.
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Os uruguaios dizem:
Orientales la Patria o la tumba!
Libertad o con gloria morir.
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E é bom não esquecer que o hino brasileiro afirma: “Verás que um filho teu não foge à luta/Nem teme, quem te adora, a própria morte.”
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Por tudo isto é preciso reconhecer a extraordinária evolução ocorrida. Neste enfrentamento de agora, os povos estão longe de campos de batalha onde obtiveram a independência. Nações rivais se batem em verdes gramados, obedecendo a regras que um juiz fiscaliza e tem milhares de pessoas como testemunhas. O clima é de festa. O grupo vencedor comemora; o grupo vencido pode até chorar, mas vai respeitar o mérito do adversário. Daqui a quatro anos tudo há de recomeçar. O campeão de hoje pode ser o último na próxima vez.
Todos gostam de vencer, claro. Mas estas batalhas esportivas proclamam os valores ligados ao esforço pessoal e em favor da equipe, na busca do resultado positivo. Tudo muito longe da guerra de que falam os hinos nacionais.

