Agora, neste começo de ano, volto a folhear as páginas de um livrinho de que gosto muito – livrinho, aliás, distribuído em três pequenos volumes. O título: “A arte de se fazer feliz”, publicação da Escola de Curação, de Porto Alegre.
É um livro inspirador.
A mensagem principal é esta mesmo aí anunciada pelo título: fazer-se feliz. Nada de ficar esperando por alguém ou por algum acontecimento. A gente constrói com as próprias mãos, agora, a fração de felicidade que é possível.
Não vá alguém querer a felicidade de cinema, felicidade em tempo integral. Esta, infelizmente, nem existe. O que existe é algo muito mais limitado, seja pela nossa imperfeição, seja pela impossibilidade de controlar os outros ou os acontecimentos. Então, a busca tem de se concentrar na felicidade possível, um tipo de bem-estar muito ligado com a saúde do corpo e da alma.
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Você pode pular ondas; comer lentilha; embrulhar grãos de romã; vestir roupa branca; usar calcinha amarela… mas quem garante que as simpatias de virada de ano fazem alguma diferença? “A arte de se fazer feliz” aposta em outra direção: aposta no poder que cada um tem de orientar a própria vida e de torná-la satisfatória na medida do possível.
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Veja alguns trechos do livro:
Todos nós queremos ser felizes. Entretanto, abandonar desejos grandiosos, abrir mão de fantasias de controle, desistir da busca da perfeição, isso não estamos facilmente dispostos a fazer. Porém, a renúncia dessas idealizações é fundamental para a construção da felicidade possível.
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A crença na possibilidade de que nossas vidas sejam povoadas apenas pelo sucesso e desprovidas de contrariedade nos leva ao sofrimento.
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Frequentemente pensamos que, ao escolher algo, estamos escolhendo o resultado que idealizamos obter. Mas os resultados não dependem inteiramente de nós.
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De nada adianta fingir ser feliz, pois nossa inconsciência sabe quando não somos. Temporariamente, encontramos certo alívio na “fantasia de felicidade”. No entanto, dentro de algum tempo, esta idealização começa a ruir, independentemente das tintas coloridas com as quais as havíamos pintado.
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Frequentemente, ouvimos a defesa de que a esperança é o bálsamo para todas as dores, a amiga mais querida e o apoio nas horas difíceis, quando pensamos que tudo está perdido. Porém, esperar, quando é possível agir, torna a esperança um veneno.
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É importante lembrar que vivemos no presente e não no passado. A vida acontece agora, neste instante. Deixar para trás o passado, bom ou ruim, é fundamental.

