Cerca de seis mil línguas encontram-se ativas no mundo hoje em dia.
Aquelas que têm maior número de usuários são faladas nos países mais populosos. Não surpreende, por isso, que o chinês mandarim apareça em primeiro lugar na lista das 10 mais. Depois, vem o espanhol, em seguida o inglês, o hindi, o árabe, o bengali e, em sétimo lugar, o português – graças à numerosa população brasileira.
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Por razões diversas, prevê-se que metade das seis mil línguas existentes hoje, estarão desaparecidas no prazo de 100 anos.
Isto é lamentável, porque uma língua é muito mais do que um conjunto de palavras. Quando desaparece, perde-se com ela uma maneira singular de entender o mundo. Isto sabemos todos os que falamos mais de uma língua. Há coisas que simplesmente são impossíveis de traduzir e há significados que só existem em uma dada língua.
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Um dos objetivos para eu falar do assunto é chamar a atenção para o gauchês, o linguajar gaúcho.
Nesta altura do mês de setembro celebram-se as tradições do sul. Os trajes e os costumes locais ganham vitrine como em nenhuma outra época do ano. Além do chimarrão e da bombacha, o linguajar é também sinal da nossa identidade. As palavras e expressões típicas não chegam a constituir uma língua própria, isso não, mas reforçam o regionalismo. Ou seja, marcam a diferença face o padrão nacional. No caso da linguagem, se introduzem termos e expressões que inexistem no falar oficial.
Interessante observar que há uma valorização crescente da cultura regional, na qual a linguagem típica também ganha espaço.
A gente pode nem notar, mas vive usando palavras muito locais. Por exemplo: bah; bagual; baita; barbaridade; capaz; cusco; encarangar; entrevero; mosquear; talagaço; trampa; vareio; vivente… e tantas outras.
Isto, sem falar nas expressões, às vezes deliciosas, e em geral muito apropriadas para descrever situações. Como, por exemplo:
• Firme que nem prego em polenta;
• Tranquilo como água de poço;
• Tiro dado e bugio deitado;
• Andar de rédea solta;
• Matar cachorro a grito;
• Pisar no tempo;
• Andar rebenqueado de saudade;
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“Enfiar água no espeto” é outra dessas expressões saborosas. Caracteriza admiravelmente o sentimento de quem se esforça, se esforça e não vê resultado à altura… O que me leva a fechar esta coluna com votos de que ninguém aí se sinta como se andasse “enfiando água no espeto”.

