Adoro ler jornais. Como prova de idade, posso dizer que gosto mesmo é de ler em papel. É por isso que assino vários e também por isso que, frequentemente, me chateio com falhas na entrega. Sei que evitaria aborrecimentos se utilizasse meios eletrônicos para acompanhar notícias, mas…
Um dos prazeres, quando viajo, é comprar os jornais locais e saber dos assuntos que ocupam as pessoas. Gosto de ver como as notícias são colocadas na página, qual é a participação dos leitores, se há colunas assinadas, se há horóscopo, quais os produtos que os anúncios publicitários divulgam, etc. Leio também as colunas sociais e sempre me admiro da vaidade nas belas fotos, que não significam absolutamente nada para quem não pertence à rodinha.
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Posso ser suspeita para falar, mas falo, mesmo assim. Penso que jornais comunitários como o nosso AT cumprem um papel da maior relevância. Talvez estes jornais sejam até mais importantes do que os grandes. Aqui a comunidade se vê e tem chance de reforçar os valores locais. Aqui é possível mostrar desagrado – se for o caso – com medidas tomadas em nome do interesse do público. Também aqui dá para celebrar nossas vitórias, sejam o êxito do grupo de bocha; a campanha da Liga de Combate ao Câncer ou a medalha de um atleta. E, verdade seja dita, o AT tem sabido merecer nossa confiança ao longo de todos estes anos. Tem sabido aumentar o respeito que temos por ele e por nós mesmos, na condição de comunidade.
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Estou falando de tudo isto, porque acabo de ler uma extensa reportagem em revista estrangeira, mostrando o declínio dos jornais. Apontam-se como culpados, em parte, os canais televisivos de notícias, que conseguem trazer as últimas, minuto a minuto, noite e dia. Em parte, talvez ainda maior, a internet, que nos põe a par de tudo, com a vantagem de dar acesso a milhões de fontes. Não é preciso esperar dias para saber as consequências de algum acontecimento. Não é preciso esperar um anúncio de carros, para ver a foto. Online é possível mirar o produto de todos os ângulos, fazer simulações com as cores, etc.
O resultado é que numerosos jornais já fecharam as portas, outros foram fazendo cortes no número de páginas, no número de empregados, e estão se segurando ali… por enquanto. Muitos passaram a ser disponibilizados apenas on-line, não existem mais na forma impressa.
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O que se pergunta é quem irá substituir os jornais na função que eles desempenham na vida das democracias, na difusão de ideias. Quem será capaz de garantir a qualidade das informações, sua veracidade? Ou seja, como será quando predominarem as informações postadas anonimamente?
Se os jornais fecharem as portas, o que virá depois deles?

