Tive o prazer de um convite para falar no Clube de Mães em Palmas Sul, marcando a abertura das atividades deste ano.
Na data combinada, saí de casa mais cedo que o necessário. Era uma tarde de temperatura amena e de muita luz. Fiquei encantada com o verdor nos arredores do salão em que as sócias do Clube se reúnem. Linda a moldura de montanhas incrivelmente próximas, como que abraçando a paisagem. Que lugar bonito! Várzea fértil, bem cultivada.
Saí de lá pensando nas casas que pude avistar por perto. São casas rodeadas de árvores, com horta, pomar e flores. Tudo viçoso, da terra boa e do bom trabalho. Essas casas me pareceram lugares feitos para viver contente.
Sim, eu sei que a vida na colônia é dura e que o trabalho é estafante, esfola as mãos, sobrecarrega os ossos. Mas onde não é duro ganhar a vida? O ambiente de trabalho na cidade, com ar condicionado e tudo, maltrata menos, mas fica devendo em outros aspectos. Não se ouvem os passarinhos, não é possível botar na mesa as verduras recém colhidas e, muito menos, ter o verde das montanhas, quase ao alcance da mão.
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Se você pensa que é fácil falar num Clube de Mães, está enganado. É um desafio e tanto. A sensação de que se vai pisar numa casca de banana acompanha a fala. E o pior é que se pisa mesmo e tem chance de nunca nem ficar sabendo.
Quer ver? Quando o grupo é desconhecido, não há jeito de saber se a gente está repetindo alguma coisa já muitas vezes comentada ali. Não sabe se está usando palavras meio fora do costume das pessoas e, portanto, nem conseguindo se fazer entender direito. Não sabe qual o modo de falar que seria mais apropriado. Não sabe se um comentário, aparentemente engraçadinho, pode soar como ofensa para alguém, etc.
Pensando bem, eu até não sei como me encorajei a ir.
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Mas a recompensa existe.
No caso de Palmas Sul, fui recompensada com a respeitosa atenção do grupo. Houve gente concordando com a cabeça, enquanto ouvia atentamente. Houve quem se arriscasse a fazer um comentário. Quem não gostou, me poupou da crítica e ainda bateu palmas.
De tudo, o que me tocou mais fundo foi uma parte do agradecimento. Esse que veio na forma de coisas do lugar. Coisas que o conhecimento das mulheres é capaz de produzir. Extraordinário conhecimento! Presente, por exemplo, no pão que elas me deram. O pão amassado do modo que a avó ensinou pra mãe. Não há diploma de doutor que consiga ensinar algo que chegue aos pés.
Saí, no fim, meio sem jeito por conta de uma pergunta que levei pra casa e continua me cutucando: o que fazer para mostrar a suficiente gratidão para as senhoras de Palmas Sul?

