Desde criança, ouço dizer que o seguro morreu de velho.
Na infância, lembro de ficar intrigada com a frase. Não conseguia atinar a vantagem de morrer de velho. Pois é. Agora que cheguei à outra ponta da vida, sei. Também sei que, para avançar em idade, vale muito pensar em segurança.
O livro de Walter Pitkin, com o título “A vida começa aos 40” – lançado no Brasil em 1936 – declara com todas as letras que os tolos morrem cedo. Isso, porque não acreditam em se proteger. Morrem cedo e não gozam o privilégio da velhice – que na altura da publicação do livro era sinalizada pela chegada aos 40 anos. Os tolos, diz Walter Pitkin, se arriscam desnecessariamente. Não tomam precauções. Acabam morrendo antes do tempo.
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Os tolos desprezam medidas de segurança. Mas, se quisessem, teriam suficientes exemplos para imitar, pois a ideia de controlar os riscos remonta a séculos antes de Cristo.
Em termos de empreendimentos comerciais, a segurança começou a ser pensada já na antiguidade. As caravanas que atravessavam os desertos do Oriente deram-se conta de que distribuir as mercadorias entre diversos camelos era uma forma de minimizar possíveis prejuízos. Se fossem assaltados, coisa não muito rara, aumentavam a chance de salvar ao menos uma parte da carga. O mesmo pensamento circulava entre os navegadores fenícios. Existia entre eles um acordo que garantia ajuda a quem perdesse um navio. Nesse caso, a construção de outro barco, teria o custo rateado pelos demais membros do grupo.
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Pois é. Estou lembrando disso ao receber comentários sobre o temor excessivo face ao coronavírus. Existem pessoas contrariadas com as precauções oficiais. A seu juízo, houve preocupação exagerada. Acham que os planos foram feitos para um perigo irreal. Tanto mais, quando se considera a quantidade de perigos que nos cercam. Entre eles, a falta de meios de subsistência.
De fato, as taxas de ocupação hospitalar no Rio Grande do Sul não explodiram (pelo menos até a hora em que estou escrevendo). São menores do que as projeções iniciais. De fato, a queda na atividade econômica parece que terá alto impacto social.
Mas vamos cuidar de uma coisa de cada vez. A primeira delas, é ficar vivo.
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Prevenir-se tem preço. Quando você viaja, compra um seguro. Você não quer que o pior aconteça. Você não pretende utilizar o seguro, você está pensando em se proteger. A mesma coisa vale para um seguro contra incêndio. Você não vai lamentar que não houve incêndio. Você fica contente de pagar por nada.
Se o confinamento foi ou está sendo exagerado, não sei. Só sei que prefiro continuar viva para dizer que o seguro morreu de velho…

