Isto mesmo. Na Alemanha, mil e duzentas palavras novas nasceram, em função da pandemia. Esta informação vem do prestigioso Instituto Leibnitz de Língua Alemã.
Nem todas as palavras vão ganhar assento permanente no dicionário, preveem os estudiosos. O que a agitação linguística mostra é que os alemães gostam de ser precisos no que dizem e na falta de termos adequados, saíram inventando.
Segundo Christine Möhrs, pesquisadora do Instituto Leibnitz, “coisas que não têm um nome podem provocar medo ou insegurança nas pessoas. Mas se damos um nome a elas, tudo parece mais fácil. Especialmente em momentos de crise, isso é importante. Palavras têm poder. Palavras transmitem não apenas conteúdo, mas emoções e sentimentos. E os falantes devem ter consciência disso”.
Exemplos de palavras que começaram a frequentar o vocabulário dos alemães com a pandemia:
Flockdown – quando neva tanto que você tem que ficar dentro de casa de qualquer maneira.
Impfneid – inveja de quem já foi vacinado – no caso de você não ter sido ainda.
Virusbomber – pessoa ou instituição que ajuda na disseminação da covid, de forma intencional ou não.
Abstandbier – tomar cerveja mantendo o distanciamento que agora se recomenda.
Autokonzert – show de música que se pode acompanhar de dentro do carro.
Coronafrisur – corte de cabelo feito em casa
Maskenmuffel – o resmungão da máscara, o cara que não deixa de mostrar seu desagrado em relação à máscara.
Nacknase – aquele que só cobre a boca com a máscara e deixa o nariz de fora
Pandemüde – cansado da pandemia
Coronaangst – medo ou ansiedade que se origina da possibilidade de contrair o vírus.
§§§
Palavras são seres vivos. Elas nascem, se modificam, podem cair em desuso e até morrer. Muitos de nós lembram de palavras que faziam parte do vocabulário dos nossos pais e ficaram antiquadas, como “fatiota” e “ceroula”. Também há palavras que desaparecem junto com a profissão que designavam, como sucedeu com “datilógrafo”.
No presente momento, nós estamos usando palavras que jamais usáramos, mesmo que elas já estivessem disponíveis, como se dá com as palavras “pandemia” e “epicentro”. Além disso, estamos também inventando palavras. Ou você ainda não ouviu alguém falar em “covidiotas” e em “cloroquiners”?

