Três décadas dedicadas à fé, à comunidade e ao chamado pastoral. Aos 54 anos, o pastor Jair Erstling celebra 30 anos de vida religiosa, marcados por vocação precoce, sólida formação teológica e uma trajetória construída com o apoio da família e da comunidade. Morador do bairro Bela Vista, ele compartilha essa caminhada ao lado da esposa, Celene Raquel Erstling, e das filhas Júlia Camila e Bianca Sofia. Para marcar a data haverá culto festivo no sábado, dia 7, e após jantar por adesão, no S.E.R. Bola Cheia, em Bela Vista.
Filho de Aloisio Erstling (in memoriam) e de Alice Erstling, hoje com 81 anos, Jair relembra com gratidão o incentivo recebido desde cedo. “Meus pais sempre me apoiaram e pagaram todos os meus estudos, mas sem pressão. Diziam que, se eu quisesse desistir, as portas de casa estariam sempre abertas”, conta. Nas férias, o pai ainda o convidava a permanecer na lavoura com a família, mas a decisão de seguir o ministério pastoral já estava firmada em seu coração.
O desejo de ser pastor surgiu ainda na infância. “Sempre quis ser pastor. Motivo específico não tenho. Apenas queria ser pastor. Ao mesmo tempo entendo como um chamado divino, porque é Deus quem governa a nossa vida”, afirma. A vocação foi sendo fortalecida ao longo da formação na Comunidade Evangélica Luterana Betel, onde estudou da primeira à quinta série. O ensino religioso, a leitura bíblica e a música cristã faziam parte do cotidiano escolar, sob orientação do pastor Reverendo Wili Redel.
Após o ensino confirmatório e a conclusão do Ensino Fundamental e Médio em Alecrim, o jovem Erstling ingressou na Faculdade de Teologia do Seminário Concórdia, em São Leopoldo. Foram seis anos de formação intensa. Nos primeiros anos, além das disciplinas teológicas, enfrentou o desafio das línguas antigas, o Hebraico, o Grego e o Latim; além de Inglês, Alemão e Português, somadas a matérias como Filosofia e Psicologia. “A exigência do curso era bem alta. Morar longe da família e lidar com as línguas antigas foram grandes desafios”, relembra.
Nos anos seguintes vieram as disciplinas específicas de Teologia, a Teologia Prática e os pré-estágios. O estágio pastoral foi realizado em Arroio do Meio, em 1994, marcando o início de uma ligação especial com o município. No último ano do curso, ainda conciliava atividades em uma congregação em Santa Maria, recebendo convites para atuar nas duas cidades ao final da formação. A escolha por Arroio do Meio, em 1996, definiu o rumo de sua trajetória ministerial.
INÍCIO DESAFIADOR
Integrante de uma das menores turmas da história da instituição, com apenas sete formandos, o pastor Jair construiu uma caminhada pautada pela dedicação e pelo compromisso com a missão pastoral. Erstling veio para atuar como segundo pastor, mas em apenas quatro meses passou a responder sozinho por toda a paróquia. À época, o trabalho incluía comunidades em Picada Felipe Essig, em Travesseiro, e Linha Bastos, em Marques de Souza, além da Escola São Paulo, onde atuava como capelão e professor. “Foi um período de muito aprendizado e responsabilidade”, relembra.
Ao longo dos anos, criou laços profundos com membros da comunidade, vínculos que tornaram alguns momentos especialmente dolorosos. “Alguns sepultamentos foram bem difíceis, porque eram grandes amigos”, destaca. Ele também reconhece que trabalhar com pessoas exige equilíbrio e maturidade. “Nem sempre é simples. Muitas vezes nos decepcionamos, e isso também acontece no trabalho pastoral”, afirma.
FORTALECIMENTO DA FÉ
Entre os períodos mais desafiadores, o pastor cita a pandemia e as enchentes que atingiram a região. “Foram momentos extremamente difíceis, mas, pela graça de Deus, superamos e saímos fortalecidos”, afirma. Apesar das adversidades, ele destaca as inúmeras alegrias vividas ao longo da caminhada: cada culto celebrado, cada visita realizada e cada batizado conduzido. Entre os marcos estruturais, estão a inauguração da igreja de Picada São Paulo, em Capitão, e da igreja da Congregação Bom Pastor, no bairro São Caetano, momentos que simbolizam crescimento e consolidação do trabalho.
O integrante da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), comenta que a congregação não ordena mulheres ao ministério pastoral, mas observa que os desafios da pregação se intensificaram nos últimos anos. O avanço dos meios de comunicação e o volume de informações disponíveis tornaram o cenário ainda mais competitivo. “A concorrência é gigante. Nessas horas lembramos que o que anunciamos não são palavras humanas, mas palavras divinas. Nós pregamos, o Espírito Santo age”, afirma.
MENSAGEM DE VIDA
Ao dirigir uma mensagem aos jovens que pensam em seguir o ministério pastoral, o pastor é direto: “Vale a pena aceitar esse chamado. É um grande desafio, com dificuldades, preocupações e momentos tristes, mas também de realizações, alegrias e a satisfação de estar conduzindo pessoas a Deus e à vida eterna no céu.”
Trinta anos depois do “sim” inicial, o pastor Erstling segue convicto de que aquele desejo de infância era, de fato, um chamado e que a missão continua.


