
A possibilidade de fazer uma viagem para a Terra Santa é uma oportunidade única, sonho de uma vida. Conseguimos concretizar esse sonho em uma viagem aos lugares santos há 11 anos.
Depois de passarmos pelos lugares históricos como Belém, Nazaré, Cafarnaum, o Mar da Galileia, o Rio Jordão, o Mar Morto, chegamos a Jerusalém.
A majestosa Cidade Santa pode ser vista de longe sobre a colina. Avistar os muros do templo desde o Horto das Oliveiras, do meio das oliveiras milenares, sabendo que ali pisou Jesus, causa vívida emoção.
Imaginar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, acontecimento importante registrado nos Evangelhos e lembrado pelos cristãos como o Domingo de Ramos. Nesse episódio, Jesus entra na cidade montado em um jumento sendo recebido pela multidão, cumprindo profecias e iniciando os acontecimentos que levariam à sua morte e ressurreição.
O momento revela importante aspecto da missão de Cristo, incluindo sua humildade, o reconhecimento da multidão e o cumprimento do plano de Deus. Compreender a história do Domingo de Ramos ajuda a entender melhor o significado da Semana Santa e o papel de Jesus na história da salvação.
O povo exultava com gritos de “hosana”, que significava “salva-nos, agora”, estendendo mantos e ramos para aquele que era esperado como o Messias, o Salvador.
As profecias do Antigo Testamento prediziam a chegada do Messias, nascido da casa de Davi, que libertaria o povo de Israel, agora sob jugo romano. O povo judeu acabou frustrado pela humildade de Jesus, que nasceu numa simples manjedoura, cercado de pastores e animais e pregava a paz, o amor e o perdão.
Em lugar da Lei do Talião olho por olho, dente por dente, dizia “se lhe baterem no rosto, ofereça a outra face”, “se lhe tirarem a túnica, dê-lhe também a capa”.
Suas pregações eram revolucionárias para a época, inclusive com relação às mulheres, que não eram aceitas nem como testemunhas. No entanto, sente-se que procura valorizar a mulher em todos os incidentes, inclusive na primazia de sua aparição ressuscitado.
O novo mandamento – amai ao próximo como a ti mesmo – é de uma profundidade ímpar, ainda não bem compreendido por muitos que não o aceitaram como o Salvador.
Com muita emoção caminhamos pela ruela estreita por onde Jesus arrastou sua cruz. Paramos em todas as estações onde podia-se chegar e apoiamos a mão na parede marcada pela mão de Jesus, rumo ao Calvário.
Na Igreja do Santo Sepulcro a sagrada Pedra da Unção, pedra de mármore que a tradição diz ser o local onde o corpo de Jesus foi preparado para o sepultamento. Nela toquei um boné que entreguei depois a meu irmão mais novo que enfrentava grave doença.
Não conseguimos entrar na própria tumba do Santo Sepulcro face ao grande número de pessoas que acorrem ao local, cuja administração é compartilhada pela Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa Grega e Igreja Apostólica Armênia.
No Sábado Santo ocorre o fenômeno conhecido como o Milagre do Fogo Sagrado. Tradicionalmente, acredita-se que uma luz desce do céu quando o Patriarca Ortodoxo Grego entra no túmulo e, após orações, velas se acendem espontaneamente, sendo consideradas uma chama divina que não queima nos primeiros minutos.
Pelos gritos de “crucifica-o” que logo se ouvirão, possivelmente o jumentinho era o que melhor tinha consciência do pesado fardo que conduzia.

