O Natal se aproxima.
Espero que você não esteja metido na roda-viva que costuma apertar, quando o ano vai chegando ao final.
Se o cotidiano já é muito puxado, agora o motor acelera. Correr é o jeito para vencer as tarefas que chegam.
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O Natal virou uma data-baliza. A reforma tem de estar concluída; a revisão do carro precisa ser feita e a faxina que esperou todo ano, igualmente. Nada pode ficar incompleto. Provavelmente o mundo não vai acabar, mas agimos como se fosse.
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Tem o capítulo reservado aos presentes. As crianças, claro, adoram brinquedos, temos de achar algo que agrade. Os adultos não podem ficar fora da lista. Mesmo para aqueles que tem mais do que tudo, há que cavar alguma surpresa. Quem trabalha conosco merece um regalo, assim também os amigos. Se temos uma encrenca enrustida, pois esta é a hora de acertar o relógio. Um presentinho sempre cai bem.
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Refeições precisam ser planejadas. Ingredientes, comprados. Não aconteça de chegarmos depois que o estoque se foi. Lembrar das bebidas. Preparar petiscos em casa é um agrado que a família merece. Revisar toalhas e a louça. O enfeite da mesa requer especial atenção. A casa precisa estar impecável: pinheiro e presépio incluídos.
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Neste tempo de festas ninguém vai querer usar um traje qualquer. A roupa tem de ser bem pensada. O tempo pode pedir um tecido mais grosso ou vestido bem leve. E se chove botamos o quê? Precaver-se é in-dis-pen-sá-vel.
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Não é de admirar que a hora da festa nos pegue moídos.
Seguir tradições pode ser quase um tiro no pé. Em vez de sinal de alegria, é capaz de o advento ficar associado com o check-list a transpor.
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Bom, mas que, ao menos, não terminemos na festa com a sensação de que o esforço foi vão, que a trabalheira resultou num cenário bonito, sim, que tudo ficou muito nos trinques, mas que o gosto na boca é o de ter mastigado embalagem. Ou, pior, que só tenha sobrado um oco que dói.
Aí vem uma pergunta bem chata: será que o teatro que armamos ajuda a aumentar os bons sentimentos, a paz entre os homens, como auguram as mensagens escritas? Será que o alvoroço destas semanas produz resultado mais denso do que a fumaça que evola das festas?

