Há alguns dias, tive a oportunidade de assistir a uma conferência de Mario Vargas Llosa, o escritor peruano que é o Prêmio Nobel da Literatura do ano de 2010. Foi um momento extraordinário.
Mario Vargas Llosa goza de grande prestígio internacional como autor de dezenas de livros e como colunista em vários jornais do mundo.
Em março último completou 80 anos. Na conferência a que assisti ele falou de pé por cerca de uma hora e respondeu perguntas por igual período. Em nenhum momento precisou consultar apontamentos para desenvolver um raciocínio brilhante e cristalino. Relacionou a vida pessoal, livros que o marcaram e com o apreço pela liberdade e pela justiça. Depois autografou livros para uma fila quase interminável, sempre amável e sorridente.
Sobre a velhice, tem afirmado que a maior ambição é chegar ao fim vivo. Quer dizer com isto que não quer morrer em vida, não quer perder as ilusões nem transformar-se num ser passivo.
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Selecionei algumas amostras do pensamento de Vargas Llosa:
“Aprender a ler foi a coisa mais importante que aconteceu na minha vida.”
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“É fácil saber o que queremos dizer, o que é difícil é dizê-lo.”
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“A felicidade não é coletiva, mas individual e privada – o que faz feliz uma pessoa pode fazer infelizes muitas outras e vice-versa – e a história recente está infestada de exemplos que demonstram que todas as tentativas de criar sociedades felizes – trazendo o paraíso à terra – criaram verdadeiros infernos.”
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Os governos devem estabelecer como objetivos assegurar a liberdade e a justiça, a educação e a saúde, criar igualdade de oportunidades, mobilidade social, reduzir ao mínimo a corrupção, mas não se imiscuir em temas como a felicidade, a vocação, o amor, a salvação e as crenças, que pertencem à esfera privada e nos quais se manifesta a feliz diversidade humana. Esta deve ser respeitada, porque toda a tentativa de regulamentá-la sempre foi fonte de infortúnio e frustração.”
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“O que mais torna as pessoas infelizes é a sensação de que estão desperdiçando o seu tempo.”
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“Não há melhor maneira de medir o grau de liberdade de um país do que verificar como age a imprensa.”
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“Nada enriquece tanto os sentidos, a sensibilidade, os desejos humanos, como a leitura. Estou completamente convencido de que uma pessoa que lê, e que lê bem, desfruta muitíssimo melhor da vida, embora também seja uma pessoa que tem mais problemas diante do mundo.”
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“Nunca te deixes pisotear por ninguém, meu filho. Esta é a melhor herança que vai ficar contigo.”

