Quando viajo, costumo dar uma banda pela livraria do aeroporto. Qualquer que seja o país, sempre encontro livros do brasileiro Paulo Coelho na companhia de outros campeões mundiais de vendas. Foi o que aconteceu recentemente no aeroporto de Antália, no interior da Turquia. Até tirei uma foto para mostrar, se você duvidar.
O que eu não esperava aconteceu nos Estados Unidos. Já contei aqui uma vez e vale repetir. Eu estava numa livraria da cadeia Barnes & Noble, que é das maiores redes mundiais na venda de livros, quando deparei a mesa dos livros recomendados para estudantes do Ensino Médio.
No total eram 64 títulos. Alguns, bem conhecidos. A “Odisséia”, de Homero; “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marquez; “O velho e o mar”, de Hemingway; “1984” e “A fazenda dos animais”, de George Orwell. Também o livro “Dreams from my father”, escrito pelo Presidente Barack Obama. Há várias obras contando a história de negros que tiveram uma infância difícil e que acabaram encontrando um lugar ao sol; a autobiografia de um médico judeu que sobreviveu aos campos de concentração nazistas; uma reconstituição do período histórico em que Abraão Lincoln governou o país, etc.
De repente me caiu o queixo. Adivinha qual era um dos 64 livros de leitura recomendada nas escolas dos Estados Unidos?
Pois, nada mais, nada menos do que “O alquimista”, de Paulo Coelho.
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Sou do tempo em que era bonito falar mal de Paulo Coelho. A gente não lia e não gostava e fim de papo. Verdade que muitas águas rolaram desde então. Inclusive a admissão do “mago”, como Paulo Coelho é chamado, no convívio dos imortais da Academia Brasileira de Letras. Mas isto aqui supera a imaginação. Não basta a gente encontrar Paulo Coelho nas livrarias de todos os aeroportos, não basta encontrá-lo – como me aconteceu – numa pequena loja de conveniência de um postinho de gasolina no interior da França, não basta saber que Paulo Coelho está traduzido para 67 idiomas e publicado em 150 países. Nada disso basta. O caso é que Paulo Coelho figura como um dos escritores recomendados para os estudantes, junto com gente que já ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Eu vi.

