Todo mundo gosta de histórias. É por isso – entre outras coisas – que as piadas e as fofocas fazem o sucesso que fazem.
Mas quem descobre que os livros são excelentes fontes de histórias, está feito. Daí em diante nem vai precisar tanto das fofocas…
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Filmes também contam histórias de forma esplêndida. O caso é que eles demandam uma certa mão de obra. É preciso trocar de roupa, sair de casa e se deslocar a um cinema ou ter uma TV por perto. Aí tem de ter antena, energia elétrica com o pagamento da conta em dia, etc.
Por sua vez, os livros são absolutamente portáteis, dispensam tecnologias, podem passar de mão em mão e não caem de moda. Desde que haja claridade, é possível ler em qualquer parte: no ônibus, na praia, na cama. Com barulho ou sem barulho. Faça chuva ou faça sol.
Quem se acostuma a ler não conhece monotonia ou solidão – a diversão fica garantida. Há tanta coisa para ler no mundo que a gente não daria conta, mesmo que passasse as 24 horas do dia lendo.
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Aqueles que gostam de ler gostam também de passar adiante as joias que descobrem. É o que vou fazer. Acabo de ler um livro excelente. Li em inglês com um esforço considerável. Quando fui saber mais sobre a autora que tanto me impressionou, descobri que a obra se encontra traduzida para o português.
Trata-se de “O deus das pequenas coisas”, escrito pela indiana Arundhati Roy e publicado na Índia no ano de 1997. A obra é tão boa que, já no ano seguinte, recebeu na Inglaterra o Booker Prize – uma alta distinção reservada para livros realmente notáveis. Dez anos depois, a editora Companhia das Letras publicou “O deus das pequenas coisas” no Brasil, coisa que eu só fui descobrir agora.
A história se passa em uma aldeia no interior da Índia, por isso mesmo a cultura do país tem um papel determinante no destino das personagens. A narrativa gira em torno da família Chochama: a avó que dirige uma fábrica de conservas; o avô já morto, que foi um figurão de prestígio no tempo em que o país era colônia da Inglaterra e que, na intimidade da casa, era um tirano violento; a tia-avó, ardilosa e cruel; o tio Chacko que estudou na Inglaterra e voltou com ideias socialistas, mas não abre mão das vantagens de ser um herdeiro rico. No meio, aparecem os gêmeos de 7 anos Estha e Rahel e sua mãe Ammu, linda e frágil. Some-se a isto uma história de amor impactante e uma grande tragédia. O resultado é um livro inesquecível.
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Esta minha conversa tem o propósito de chamar a atenção para as feiras de livros que acontecem nesta altura do ano em quase todas as cidades, em especial, para a Culturarte, aqui em Arroio do Meio. E serve também como convite para participar da festa que a leitura pode representar na vida.

