Estamos chegando às comemorações da Páscoa mais uma vez. Para algumas pessoas estes dias podem ficar marcados como um feriadão, viagem, reunião de família, festa com as crianças, presentes. Mas, abaixo desta superfície alegre, a Páscoa também é um convite para pensar na morte. Páscoa fala de morte. Sim, claro, também de ressurreição. Mas primeiro fala de sofrimento, de agonia, de morte.
Não gostamos de lembrar que somos seres finitos, que a nossa vida tem duração limitada. O caso é que não se trata de gostar ou de não gostar. A morte é parte da vida e isto vale para ricos e pobres, brancos e pretos, homens e mulheres, poderosos e mendigos. Não existe opção: a morte vem para todos. Sabemos disso e ao mesmo tempo vivemos como se não soubéssemos.
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Há pouco, neste ano de 2019, foi lançado um livro sobre este tema. É um livro realista e precioso. Trata-se de “A morte é um dia que vale a pena viver”. A autora é uma médica paulista: Ana Claudia Quintana Arantes, que trabalha no hospital Albert Einstein de São Paulo e no sistema público de saúde daquele estado, realizando cuidados paliativos com pessoas portadoras de doenças incuráveis. Cuidados paliativos consistem – segundo uma mensagem deixada para a médica por alguém que acompanhou a morte do pai – cuidados paliativos consistem em tratar e escutar o paciente, em dizer ‘sim, sempre há algo que pode ser feito’, da forma mais sublime e amorosa que pode existir. É um avanço da medicina.
O objetivo da especialidade médica em cuidados paliativos é ajudar a morrer bem.
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Recomendo o livro da médica Ana Claudia para todos. Esta recomendação é o meu presente de Páscoa. A obra contém 190 páginas de conhecimento e de puro amor. Aliás, a Dra. Ana fala que as únicas coisas que realmente nos ajudam a viver bem e a encarar a morte com a serenidade possível são o amor e a verdade. Ela cita Jesus: “Se você expressar o que habita em você, isso irá salvá-lo. Mas, se você não expressar o que habita em você, isso irá destruí-lo”.
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Acho que um importante resultado da leitura do livro é nos estimular a pensar sobre a vida. Segundo a autora, a maior angústia diante da morte aparece com o sentimento de que a vida foi desperdiçada e que não há mais tempo para consertar nada.
Talvez o jeito mais fácil de viver bem – diz a Dra. Ana, à página 153 – seria incorporar no nosso cotidiano estas cinco nuanças da existência: demonstrar afeto; permitir-se estar com os amigos; fazer-se feliz; fazer as próprias escolhas; trabalhar com algo que faça sentido no nosso tempo de vida, e não só durante o tempo em que estamos trabalhando.
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Votos de uma boa Páscoa e, também, de uma boa reflexão.

