É hora de preparar o Natal!
Eis o alerta que nos vem das vitrinas, que nos vem da decoração das cidades e da profusão de anúncios que lembram a tarefa de encontrar os presentes.
Não sou daqueles que começam os preparativos com muita antecedência, mas agora o momento está de fato chegando. Longe de mim passar por uma atucanação no final. A minha falta de pressa, em parte, se deve ao costume de celebrar as festas de forma muito singela. Em parte, também porque prefiro poupar os símbolos para o período bem próximo do Natal, como fazíamos antigamente. Antigamente, quando a árvore colocada na sala era de verdade um pinheiro, ela só chegava um ou dois dias antes da grande noite. A razão principal era o risco de a árvore não resistir em todo o seu esplendor. Hoje a árvore é artificial, mas eu guardei o costume.
Além disso, tenho a sensação de que os enfeites expostos muito antes acabam ficando quase invisíveis até a data festiva, pois a gente se habitua com eles na casa. Mas devo admitir que muitos dos meus amigos agem de forma bem diferente e encontram muitas razões para isso.
§§§
Claro que preparar o Natal não se resume a decidir os enfeites da casa ou à busca dos presentes para os nossos queridos. O principal desafio, aliás, é bem outro. O desafio é encontrar o necessário espaço e o indispensável silêncio para viver o sentido da data.
Foi nestas coisas que eu fiquei – desconfortavelmente – pensando durante a semana. A atmosfera deste período estimula bons sentimentos e belas mensagens. Assim fica mais forte o contraste com a limitação de que padecemos, nós, todos os seres humanos.
Somos muito desajeitados. Enxergamos as coisas a partir do nosso cantinho e por isso perdemos a noção do conjunto. Somos precipitados em tirar conclusões. Facilmente caímos na tentação de fazer julgamentos e quase sempre esses julgamentos são falhos e tortos. Faltamos, na hora de dar um apoio e podemos ser excessivos na curiosidade ou no afã de indicar solução. Ficamos distraídos, quando seria o caso de prestar atenção em quem anda bem perto ou nos tornamos salientes demais, quando seria melhor deixar espaço para as dores curarem. Nossa desatenção leva a esquecer a contribuição que depende de nós, um sorriso que fosse, um encorajamento, um consolo. Zelamos tanto pelo nosso conforto que esquecemos de defender quem precisa ou falhamos em enfrentar quem golpeia e machuca. Etc., etc.
Pobre humanidade! – como meu pai costumava dizer, pensando nas dores do mundo. E eu acrescento: precisamos muito da espiritualidade que o Natal encoraja.
§§§
Mas nem tudo está perdido. Sempre se pode fazer alguma coisa.
Por exemplo, rever amigos e abraçar o Gilberto Jasper hoje, às 19h, na Casa do Museu, quando ele estará autografando “O tempo é o senhor da razão e outras crônicas”.
Publicar um livro é um gesto de boa vontade. É uma forma de generosidade. Bravo, Gilberto, bravo!

