Tenho empregado em leitura, boa parte do meu tempo. Confinada, os compromissos são escassos, as visitas proibidas e os passeios ficaram adiados para ninguém sabe quando. O resultado é que as horas se multiplicaram. Que fartura de tempo!
– Onde investir o tempo, este capital que é o mais precioso?
Acho que uma aplicação rendosa é a leitura. Aliás, não sei se alguma outra apresenta melhor custo-benefício.
Encontrar livros ficou mais fácil, com a ajuda da internet. Muitas obras estão disponíveis para leitura gratuitamente. Se for para comprar, os chamados e-books são bem baratos. Também baratos são os livros de segunda mão que os sebos vendem e os correios entregam na nossa casa.
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Com a leitura, a gente tem ocupação farta e variada, em troca de pequeno esforço. Não é preciso levantar peso, não é preciso sofrer com abdominais. Livres de cansaço e de suores, sentamos na poltrona favorita e lá vamos nós “por mares nunca dantes navegados”- como diria Camões.
Não é preciso trocar de roupa, nem passar um pente no cabelo ou sequer abrir a porta, para conhecer pessoas incríveis, pessoas de quem jamais chegaríamos perto ao vivo. As biografias de celebridades estão aí para não deixar mentir.
Sem gastar sola de sapato, é possível viajar pelo planeta inteiro. Livres da preocupação de reservar hotéis ou carregar bagagens, podemos simplesmente decidir o país que desejamos conhecer. Aí, o incômodo ficará restrito a escolher o assunto. Queremos saber de economia ou preferimos conhecer aquilo que os artistas vêm produzindo lá?
Nossa curiosidade pode voar quase sem limites.
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Estou lendo sobre a História do Brasil. Peguei livros de Eduardo Bueno, que é jornalista e escreve de um modo bem descontraído. Gosto de acompanhar Eduardo Bueno também no canal Buenas Ideias, do YouTube.
A coleção “Terra Brasilis”, escrita por Bueno, começou a ser publicada no ano de 1998. Engloba três volumes: “A viagem do descobrimento”; “Náufragos, traficantes e degradados” e “Capitães do Brasil”. A narrativa tem um ritmo moderno e original, muito diferente daquele que conhecemos na escola antigamente. A leitura rende. Nosso interesse cresce com os dados e informações curiosas, que ajudam a explicar melhor os fatos. A história local é contada com um olho no episódio e outro, nos acontecimentos que ocupavam o planeta. As figuras humanas são apresentadas como pessoas, em vez de aparecerem em pose de estátua para ser reverenciada.
Como convite a ler Eduardo Bueno basta dizer que suas obras já venderam perto de um milhão de exemplares.
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Livros não são a salvação, mas podem ajudar a trazer luz para estes nossos tempos sombrios.

