
Depois de 50 anos de trabalho adquiri um imóvel no Litoral. Desde a metade do ano passado vou com frequência à praia, ensaiando um novo modelo de vida, principalmente no inverno.
O fenômeno gaúcho de deslocamento às praias é antigo, mas ainda me deixa impressionado. No último final de semana fui à Capão da Canoa na sexta-feira, saindo de Porto Alegre às 8h. Incrível que o movimento já era intenso, apesar da chuva forte que quase me obrigou a parar no acostamento da Free Way.
Ao chegar na cidade litorânea, notei um grande movimento nas ruas centrais e na orla, traço marcante desde a metade de dezembro. Os episódios históricos da pandemia de covid e das repetidas enchentes de 2023 e 2024 transformaram as cidades do litoral norte em uma espécie de refúgio para muita gente.
Ao caminhar pelas ruas – coisa que faço todos os dias porque só tiro o carro da garagem para retornar à Capital – sempre encontro algum conhecido, amigo, ex-colega de trabalho ou dos bancos escolares e conterrâneos. Acostumado a puxar conversa em filas da padaria, nos quiosques à beira mar ou nos restaurantes, constatei que “o Rio Grande se encontra” na praia por ao menos três meses. É possível ouvir sotaques característicos das mais variadas regiões do Estado.
É hora de aproveitar o tempo que resta.
Por isso, bora seguir em frente e usufruir!
A migração de um grande fluxo para as praias potencializou o surgimento de empreendimentos que funcionam o ano inteiro. Isso acontece em todos os segmentos. No passado era complicado trabalhar no sistema “home office”, ou seja, exercer a profissão sem sair de casa, na praia. Isso se devia à precariedade do serviço de internet, com “quedas” constantes que comprometiam a qualidade do trabalho.
Hoje, além da variedade de oferta, é possível contratar provedores que oferecem serviço de qualidade a preços honestos. Isso ocorre em outros ramos de atividade. Durante todo o ano é possível fazer levantamento de preço de produtos e serviços com variadas opções. Muito diferente de anos atrás, quando havia um ou dois fornecedores que fixavam preços estratosféricos que nos deixavam reféns da exploração local.
Sou um “praieiro” assumido. Daqueles que vai para a beira do mar às 10h e voltar no final do dia. Depois, ando muito pela cidade para descobrir aspectos pitorescos, novas lojas, sabores locais e alternativas diferentes para levar uma lembrança para amigos e afetos em geral.
Aos 65 anos, para mim, priorizar a qualidade de vida se tornou um impositivo. É hora de aproveitar o tempo que resta. Por isso, bora seguir em frente e usufruir!

