
Como todo mundo, assisto estarrecido à epidemia de feminicídios, os crimes cometidos contra as mulheres. O início de 2026 tem sido marcado pela repetição inacreditável deste tipo de ocorrência, motivando mobilizações por todo o Rio Grande do Sul e, inclusive, em nível federal, para estancar a situação.
Este comportamento precisa ser evitado a partir das relações dentro de casa. Sempre, em todas as circunstâncias, os pais são o espelho dos filhos. De nada adianta apenas falar, citar exemplos externos ou comentar notícias da mídia. É preciso, sempre, adotar uma postura exemplar, condizente com a necessidade de prevenir este tipo de crime através da educação familiar.
Pais e professores são fundamentais na formação de crianças e adolescentes conscientes da necessidade de respeito, sempre. Tão logo a repetição dos feminicídios teve início, lembrei do saudoso professor e grande amigo de seus alunos, o capitão Aldo Terceu Thomé, que nos deixou muito cedo, aos 82 anos.
Vida afora conheci poucos docentes que souberam exercer a nobre arte de ensinar com tamanha sensibilidade. Ele, como militar, jamais levantou a voz ou tripudiou pela posição hierárquica diante dos alunos.
Foi meu professor de Educação Física, que gostava de combinar com os alunos as atividades.
Capitão Thomé faz muita falta. É grande o contingente
de pais omissos sobre a educação dos seus filho
Sei que vocês só querem saber de futebol, mas também temos que fazer alguns exercícios – repetia para a gurizada rebelde do Colégio São Miguel, hoje Bom Jesus.
Numa atitude incomum para a época, ele nos levava ao campinho do Seminário Sagrado Coração de Jesus. Depois de uma renhida partida de futebol, ele autorizava que tomássemos banho nas profundas águas da represa, lugar de tantas lembranças.
Nos dias de chuva, o mestre usava o salão do colégio para falar sobre vários assuntos, inclusive ministrava as primeiras noções de educação sexual. Isso mesmo! Nestes momentos, ele fazia perguntas diretas, sem rodeios:
– Como tu faz e o que tu diz ao tirar uma guria pra dançar? – era uma das preferidas.
Sempre que alguém usava um termo chulo ou de baixo calão, o capitão Thomé interrompia bruscamente e não escondia a irritação
– Olha o respeito, guri! Mulher deve ser tratada com respeito e carinho. Tu gostarias que alguém falasse desse jeito com a tua mãe ou com a tua irmã – desafiava.
Hoje, vendo a total falta de respeito que permeia as relações sociais, lembro saudoso deste militar, nascido em Triunfo, casado com Raquel do Amaral, com quem teve cinco filhos e que, em 1963 mudou-se para Arroio do Meio. Nosso capitão Thomé faz muita falta porque o que vemos é o descompromisso de muitos pais na educação de seus herdeiros.

