
Meu vizinho, o Nestor, anda assustado com as ameaças de alta nos preços dos combustíveis. “Viu a disparada do petróleo? Já passou dos 100 dólares o barril! A confusão é lá no Oriente Médio e nós vamos a reboque”, reclama. E não está totalmente errado. Os combustíveis fósseis seguem no centro da economia mundial, fornecendo mais de 80% da energia global para transporte, eletricidade e indústrias. Impulsionam o desenvolvimento, a produção de alimentos e a infraestrutura moderna. Em outras palavras: quando o petróleo espirra, a inflação pega gripe.
Assustado com a situação, Nestor já pensa seriamente em comprar um carro híbrido. Mas ele mesmo sabe que a coisa não é tão simples. O petróleo ainda deve seguir por muito tempo como principal fonte de energia do planeta — não apenas como combustível, mas também como matéria-prima para plásticos, fertilizantes, produtos químicos e até para setores como o aço e o cimento.
E aquela poupança para a aposentadoria? As aplicações do Nestor tremem só de imaginar as oscilações inflacionárias capazes de sacudir o PIB de países inteiros. A volatilidade dos preços do petróleo e do gás influencia diretamente as bolsas de valores e as taxas de inflação pelo mundo afora, abrindo a porteira para crises econômicas.
Nestor, como a grande maioria dos cidadãos do planeta, reclama dessa dependência que torna as nações vulneráveis a conflitos geopolíticos e variações de preço. O que muitos não se dão conta é que esses recursos, além de problemáticos, são também não renováveis. Ou seja: um dia acabam.
E tem mais: sua queima é a principal responsável pelas emissões de gases de efeito estufa e pela poluição que cobra um preço alto — quase incalculável — em saúde e meio ambiente.
Em resumo, o Nestor, eu e boa parte da humanidade que depende dessa mistura inflamável para se locomover seguimos nutrindo um certo otimismo: o de que uma transição energética eficaz ainda aconteça neste século XXI — o primeiro do terceiro milênio, tão cheio de globalização e avanços tecnológicos. Quem sabe, então, consigamos dar um sumiço nesse viscoso “ouro negro”. Eu e o Nestor esperamos que seja antes de virarmos fósseis.

