
Um dos meus parceiros da “antiga” passa por um momento difícil em seu relacionamento. A esposa, por obrigação profissional, viaja bastante. E queria que ele a acompanhasse. A dificuldade é que as questões profissionais de ambos, impedem uma sintonia de agendas. E todos sabemos que num casamento a individualidade não deve ser anulada. A parceria precisa ampliar os horizontes de cada um, não limitá-los. E aí, ambos se sentem culpados por não atenderem satisfatoriamente esse tipo de carência.
Aí eu lembrei das conversas que tive com psicólogos e psiquiatras, lá por volta dos anos 80, sobre uma pauta que pretendia ser esclarecedora sobre a vida a dois. O que fazer para evitar o mínimo de rupturas e o máximo de estabilidade para todo o sempre? Na época, me inspirei nos versos de “São demais os perigos desta vida para quem tem amor”, música de Toquinho em parceria com o poeta Vinicius de Moraes. Como suportar, em parceria, as adversidades e tentações de toda natureza?
Depois de muita entrevista e alguma discussão entre meus colegas de redação, sepultei a pauta por me considerar imaturo para um tema tão importante. Uns me diziam que viviam em paz em suas parcerias em uma relação absolutamente monogâmica, outros que abriam a convivência a outras aventuras. Mas no fundo, sempre surgia uma questão, uma mosquinha chamada insegurança que os deixava na defensiva. E muitas vezes, alimenta psicopatas que buscam a solução na violência.
E aí, na ânsia de preservar a individualidade reconheciam que a parceria deveria ampliar os horizontes de cada um, não limitá-los. O problema surgia quando o horizonte de um tinha mais belas imagens em relação ao outro. Enfim, viver a dois nunca é um contrato fechado na perfeição. As chaves se gastam ou quebram com o tempo e o ideal, o certo mesmo, é acreditar em si e na força de superar o contraditório quando existe amor, esse sentimento que se consolida em respeito e parceria.

